Vita Sackville-West

Life

Foto E. O. Hoppe em 20/06/1916 – Revista Life

Victoria Mary Sackville-West, Lady Nicolson, (9 de março de 1892 – 2 de Junho de 1962), mais conhecida como Vita Sackville-West, foi uma escritora inglesa e paisagista. Ficou famosa por sua vida aristocrática exuberante, seu casamento forte (ela e seu marido Harold Nicolson eram bissexuais), seu caso amoroso com a romancista Virginia Woolf e pelo jardim que ela e Nicolson criaram em Sissinghurst.

Vita Sackville-West nasceu em  Knole HouseSevenoaks, Kent. Foi a única filha de Lionel Edward Sackville-West, terceiro Barão Sackville e sua esposa Victoria Sackville-West, que eram primos. Sua mãe era filha natural de Lionel Sackville-West, segundo Barão Sackville. Batizada de “Victoria Mary Sackville-West”, ela era conhecida como “Vita” ao longo de sua vida, para distingui-la de sua mãe.

A primogenitura, impediu Vita de herdar Knole depois da morte de seu pai. A casa passou, com o título, a seu tio Charles Sackville-West. A perda de Knole a afetaria para o resto de sua vida.

Knole from English Homes by H. Avray Tipping

Knole from English Homes by H. Avray Tipping

Um retrato de Vita foi pintado pelo húngaro retratista Philip de Laszlo, em 1910, quando ela tinha 17 anos. Vita odiava este retrato, pois ela achava que a fazia parecer uma aristocrata Eduardiana vazia, e manteve-o em seu sotão durante toda a vida. (Sissinghurst por Adam Nicolson, The National Trust, 2008).

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Harold e Vita

Em 1913, aos 21 anos, Vita se casou com um homem de 27 anos, o escritor e político Harold Nicolson (21 de novembro de 1886 – 1 de Maio de 1968), apelidado de Hadji, o terceiro filho do diplomata britânico Arthur Nicolson, 1º Barão Carnock (1849-1928). O casal teve um casamento aberto. Ambos tinham relações homossexuais, assim como algumas das pessoas do Grupo Bloomsbury, de escritores e artistas, com alguns dos quais ela tinha conexões.

Estes assuntos não foram impedimento para a proximidade verdadeira entre Vita e Nicolson, como foi visto a partir de sua correspondência quase diária (publicada postumamente pelo filho Nigel), e de uma entrevista que ele deu para a rádio BBC após a Segunda Guerra Mundial, Harold Nicolson desistiu de sua carreira diplomática, em parte, para que ele pudesse viver com Sackville-West, na Inglaterra, sem suas longas missões para o exterior.

Seguindo o padrão da carreira de seu pai, Harold além de um diplomata, foi jornalista, radialista, membro do Parlamento, e autor de biografias e romances. O casal viveu algum tempo em Cihangir, Constantinopla, e estavam presentes, em 1926, na coroação de Reza Shãh, em Teerã, então Pérsia. Na volta para a Inglaterra Harold comprou Long Barn, em Kent, onde eles viveram de 1915 a 1930.

Vita e os filhos

Vita e os filhos

O casal teve dois filhos: Nigel (1917-2004), um editor bem conhecido, político e escritor, e Benedict (1914-1978), um historiador de arte. Na década de 1930, a família adquiriu e se mudou para Sissinghurst Castle, perto de Cranbrook, em Kent. Sissinghurst tinha sido possuído por antepassados de Vita, o que proporcionou a ela uma atração natural depois da perda de Knole. Lá, o casal criou os famosos jardins que são agora geridos pelo National Trust.

As amantes

Rosamund Grosvenor

Nicholson, Vita e Rosamund

Nicolson, Vita e Rosamund

A Primeira amiga próxima de Vita foi Rosamund Grosvenor (Londres, Inglaterra, setembro de 1888- Junho de 1944), tinha 4 anos a mais que Vita. Ela era filha de Algernon Henry Grosvenor, sendo seu avô Robert Grosvenor, 1º Barão Ebury. Vita conheceu Rosamund em Miss Woolf’s school  em 1899, quando Rosamund tinha sido convidada para animar Vita enquanto seu pai foi lutar na guerra dos Boers. Rosamund e Vita compartilharam depois uma preceptora em suas aulas pela manhã. Como elas cresceram juntas, Vita se apaixonou por Rosamund, a quem ela chamava de Roddie ou Rose ou Miss Rubens. Rosamund, por sua vez, se encantou com Vita. 

Lady Sackville, a mãe de Vita, foi convidada por Rosamund para visitar sua família em Monte Carlo; Rosamund também ficou com  Vita em Knole. Durante a visita de Monte Carlo, Vita escreveu em seu diário: “Eu a amo tanto!” Sua relação secreta terminou em 1913, quando Vita casou. Rosamund morreu em 1944 durante um ataque de foguetes V1-alemão, aos 56 anos.

Violet Trefusis

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Violet Trefusis

A relação do mesmo sexo que teve o efeito mais profundo e duradouro na vida pessoal de Sackville-West foi com a romancista Violet Trefusis filha de George Keppel e sua esposa, Alice Keppel, uma amante do rei Edward VII. Eles se conheceram quando Vita Sackville-West tinha 12 anos e Violet tinha 10 anos, e frequentaram a escola juntos por vários anos.

O relacionamento começou quando ambas eram adolescentes. Depois de casadas ela e Trefusis haviam fugido várias vezes a partir de 1918, principalmente para a França. Sackville-West se vestia como um homem quando elas fugiam (como a escritora francesa Amandine Aurore Lucie Dupin, também conhecida como George Sand, 1804-1876, cerca de 100 anos antes).

O caso terminou mal, com Trefusis perseguindo Sackville-West em grandes proporções, até nos casos de Sackville-West com outras mulheres.

As duas mulheres tinham feito um pacto para permanecer fiel uma a outra, o que significava que, embora ambas fossem casadas não poderiam ter relações sexuais com seus próprios maridos. Sackville-West ouviu falar que Trefusis tinha se envolvido sexualmente com o marido, quebrado a  ligação de ambas e levando-a a terminar o affair. Apesar da separação, as duas mulheres foram dedicadas uma a outra com um amor profundo e continuaram a ter ligações ocasionais nos anos seguintes, mas nunca reacenderam o caso.

O romance de Vita Challenge também testemunha este affair: Sackville-West e Trefusis tinham começado a escrever este livro juntas, o nome do personagem masculino, Julian, era o nickname de Sackville-West quando se vestia de homem. O pai de Vita, o terceiro Lord Sackville, encontrou um retrato bastante óbvio e se recusou a permitir a publicação do romance na Inglaterra; mas o seu próprio filho Nigel Nicolson, no entanto, a elogia:

“Ela lutou pelo direito ao amor de homens e mulheres rejeitando as convenções que o casamento exige do amor exclusivo, de que as mulheres devem amar apenas homens e os homens apenas as mulheres. Por isso ela estava preparada para desistir de tudo…”.

Virginia Woolf 

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Virginia Woolf

O affair de Sackville-West mais lembrado foi com a escritora Virginia Woolf no final de 1920. Woolf escreveu um de seus romances mais famosos, Orlando, descrito pelo filho de Vita, Nigel Nicolson como:

“A maior e mais encantadora carta de amor da literatura “

O momento da concepção de Orlando foi documentado por Woolf  em seu diário em 05 de outubro de 1927:

“E imediatamente se produzem na minha cabeça os eventuais mecanismos do alvoroço: uma biografia, começando no ano de 1500 e continuando até os dias de hoje, chamada Orlando: a vita; só que com a mudança de um sexo para outro.”

Hilda Matheson, Evelyn Irons e outras

Vita Sackville-West também teve um caso amoroso entre 1929 e 1931 com Hilda Matheson, da BBC Talks Department. “Stoker” foi o apelido carinhoso dado a Hilda por Sackville-West durante a sua ligação.

Em 1931, Sackville-West se envolveu em um caso com a jornalista  Evelyn Irons,  que a entrevistou depois que seu romance The Edwardians se tornou um best-seller.

The Edwardians (1930) e All Passion Spent (1931) são, talvez, os seus melhores romances e mais conhecidos hoje. Neste último, A idosa  Lady  Slane  corajosamente abraça um sentido de liberdade e capricho depois de uma vida de convenções. Este romance foi fielmente dramatizado pela BBC em 1986.

Em 1946, Sackville-West foi agraciada com a Companion of  Honour  pelos seus serviços à literatura. No ano seguinte, ela começou uma coluna semanal no The Observer chamada “No seu Jardim”. Em 1948 ela se tornou um membro fundador do comitê de Jardim do National Trust.

Ela é menos conhecida como biógrafa, e o mais famoso desses trabalhos é a sua biografia de Santa Joana d’Arc. Além disso, ela compôs uma biografia dupla de Santa Teresa d’Ávila e Teresa de Lisieux, intitulada The Eagle and the Dove. Uma biografia da autora Aphra Behn  e uma biografia de sua própria avó, a dançarina espanhola conhecida como Pepita, a mãe de muitas crianças, filhas do diplomata britânico e segundo Lord Sackville, Lionel Sackville-West. Seu longo poema narrativo, The Land, ganhou o Prêmio Hawthornden, em 1927. Ela ganhou de novo, em 1933, tornando-se o único escritor a fazê-lo, com seu Collected Poems .

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Poesia

  • Chatterton (1909)
  • A Dancing Elf (1912)
  • Constantinople: Eight Poems (1915)
  • Poems of West and East (1917)
  • Orchard and Vineyard (1921)
  • The Land (1926)
  • King’s Daughter (1929)
  • Sissinghurst (1931)
  • Invitation to Cast out Care (1931)
  • Solitude (1938)
  • The Garden (1946)

Romances

  • Heritage (1919)
  • The Dragon in Shallow Waters (1921)
  • The Heir (1922)
  • Challenge (1923)
  • Grey Waters (1923)
  • Seducers in Ecuador (1924)
  • Passenger to Teheran (1926)
  • The Edwardians (1930)
  • All Passion Spent (1931)
  • The Death of Noble Godavary and Gottfried Künstler (1932)
  • Thirty Clocks Strike the Hour (1932)
  • Family History (1932)
  • The Dark Island (1934)
  • Grand Canyon (1942)
  • Devil at Westease (1947)
  • The Easter Party (1953)
  • No Signposts in the Sea (1961)

Biografias

  • Duineser Elegien: Elegies from the Castle of Duino, by Rainer Maria Rilke trns. V. Sackville-West (Hogarth Press, London, 1931)
  • Biographies/Other works
  • Passenger to Teheran (Hogarth Press 1926, reprinted Tauris Parke Paperbacks 2007, ISBN 978-1-84511-343-8)
  • Knole and the Sackvilles (1922)
  • Saint Joan of Arc (Doubleday 1936, reprinted M. Joseph 1969)
  • Pepita (Doubleday, 1937, reprinted Hogarth Press 1970)
  • The Eagle and The Dove (M. Joseph 1943)
  • Twelve Days: an account of a journey across the Bakhtiari Mountains of South-western Persia

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Adaptações para a TV
All Passion Spent

Atores: Wendy Hiller, Harry Andrews, Maurice Denham, Phyllis Calvert, Graham Crowden
Direção: Martyn Friend
Roteiro: Peter Buckman, Vita Sackville-West
Produção: BBC
Idioma: Inglês
Estúdio: Acorn Media
DVD/Lançamento: 2006
Duração: 158 minutos
Locações: Victoria and Albert Museum, South Kensington, London, England, UK

Sinopse:

51FQTF7FMCLA adaptação do romance aclamado pela BBC, de Vita Sackville-West, estrelado por Dame Wendy Hiller na clássica história de emergentes e a identidade feminista na pós-Inglaterra vitoriana.

“Quando se pode agradar a si mesmo se não na velhice?” Aos 85 anos Lady Slane (Hiller), quer se libertar das expectativas da sociedade sobre a morte de seu marido politicamente proeminente. Para o choque de seus filhos, que parecem mais preocupados com a disposição da propriedade do que com a felicidade de sua mãe, a viúva retira-se para uma casa no campo, em Hampstead, para redescobrir a si mesma.

Indicada para quatro prêmios BAFTA (incluindo melhor série dramática e melhor atriz), esta produção da BBC é mais conhecida na tela pela sua complexidade emocional, vigor intelectual e profundo sentimento.

The Edwardians

Atores: Thorley Walters, Terry Francis
Direção: John Howard Davies
Idioma: Inglês
Legendas: Inglês
Estúdio: BBC Home Entertainment
Lançamento: 2008
Duração: 635 minutes

51VWCUGgItLUm retrato da sociedade da moda no auge de uma era, The Edwardians revela, através das vidas de seus personagens, tudo o que era glamoroso sobre o período e tudo o que era para levar a sua queda. Sebastian e Viola são filhos da aristocracia inglesa. Bonito e temperamental, aos 19 anos, Sebastian é herdeiro de Chevron, uma vasta propriedade rural. Está preso pela sua herança e um profundo senso de tradição e amor pelo campo Inglês, mas ele detesta a sociedade fria, extravagante do qual faz parte. Aos 16 anos, sua irmã Viola é mais independente: uma beleza fora de moda que despreza cada parte de sua herança – mais particularmente a da feminilidade. Em Julho de 1905, Chevron é mais uma vez o local de uma festa luxuosa. Entre os convidados estão a grande beleza de Lady Rochampton e o explorador Leonard Anquetil. É Lady Rochampton que iniciará Sebastian na arte do amor, mas é Anquetil que abre tanto para irmão e irmã a porta de entrada para um outro mundo.

Sinopse do livro: http://www.skoob.com.br

Portrait of a Marriage (biografia de Vita por Nigel Nicolson)

Atores: Janet McTeer, David Haig, Cathryn Harrison, Diana Fairfax, Peter Birch
Diretores: Stephen Whittaker
Roteiro: Nigel Nicolson, Penelope Mortimer, Victoria Glendinning
Produtores: Anna Kalnars, Colin Rogers, Colin Tucker, Rebecca Eaton
Estúdio: Acorn Media
Lançamento: 2006
Duração: 219 minutos

Sinopse:

91Du2O9E2VLRetrato de um Casamento começa com certa calma enganadora – marido e mulher trabalhando no jardim e olham para os aviões no céu. Cinco anos casado com Vita, Harold confessa seus casos com homens – mas jura que sua única paixão verdadeira é Vita. Ela aceita isso, mas quando sua amiga de infância Violet Keppel chega, as duas mulheres começam um affair. Logo Vita e Violet se encontram profundamente envolvidas, viajando através do submundo gay de Paris, com Vita em roupas masculinas. O caso torna-se tudo, consome Vita e começa rasgando Vita e seu casamento com Harold e as vidas de seus dois filhos. Portrait of a Marriage praticamente revela detalhes psicológicos e cenas de sexo ardentes. Como a relação de Vita e Violet cresce mais carnal, o mesmo acontece na minissérie. Mas não há nada de exploração, o sexo aprofunda e mantem as mulheres no coração uma da outra e leva à pirotecnia emocional. A tensão constante se torna ainda mais complexa porque Vita e Harold realmente se amam, independentemente de seus desejos sexuais. Uma recriação vívida e meticulosa dos quadros, com desempenhos soberbos de McTeer, Harrison, e Haig. Esta minissérie de quatro episódios é baseada na biografia de Vita e Harold, escrita pelo filho Nigel, e é mais um exemplo da maestria da BBC em adaptações literárias.

– Bret Fetzer

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Tradução: Maria Sonia Oliveira

Fontes:

Biografia: http://en.wikipedia.org/wiki/Vita_Sackville-West
Fotos: http://www.knolestories.org.uk/
http://www.dailymail.co.uk/
Capas: http://www.amazon.com/

┼Ψ╬† sσnia ┼Ψ╬┼

Gosto de tudo da Inglaterra: literatura, filmes, séries, sitcons, sotaque, educação, polidez, costumes, parques, praças, arquitetura… Tudo! Fui Influenciada pela literatura inglesa que eu li avidamente. Morar lá é o meu objetivo de vida.