Virginia Woolf, último dia

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No dia em que Virginia Woolf cometeu suicídio, sexta-feira, 28 de março de 1941, Leonard havia tentado manter Virginia ocupada, sabendo que ela não estava bem e precisava se manter ativa. Mesmo assim, apesar de temer que ela tivesse mais um colapso mental e que estaria possivelmente à beira de um suicídio, ele permitiu que ela ficasse longe de seus olhos vez ou outra, pois sabia que mantê-la confinada causava estresse e não queria ser autoritário.

De acordo com a autobiografia de Leonard, a decisão de não manter Virginia sob vigilância de enfermeiras ou cuidadoras “foi errada e levou ao desastre”.

O dia de Virginia começou mal, com a empregada de Woolf, Louie Mayer, dizendo que havia conversado com Virginia em seu quarto naquela manhã “porque aquele parecia ser um de seus dias ruins novamente”.

Louie explicou que assim que foi fazer seu serviço, Leonard pediu a ela que entregasse o espanador a Virginia para que ela pudesse ajudá-la a limpar, de acordo com o livro Leonard Woolf: A Biografia: “Eu dei a ela o espanador, mas foi muito estranho. Nunca tinha visto ela querer fazer qualquer trabalho doméstico comigo”.

A limpeza não durou muito para Virginia pois logo deixou o espanador e se dirigiu ao lodge, lugar onde escrevia, no jardim. Para manter-se de olho nela, Leonard a visitou em seu lodge as 11 da manhã e a viu escrevendo alguma coisa. Durante a conversa, Virginia disse que ia fazer algum serviço doméstico e depois faria uma caminhada antes do almoço. Então Virginia e Leonard voltaram juntos para a casa e Leonard falou para ela se deitar para descansar por meia hora enquanto ele ia para seu estúdio trabalhar.

Depois que Leonard foi para o andar de cima, Louie disse que viu Virginia voltar para o lodge, retornar para a casa, vestir seu casaco de pele, calçar suas botas Wellington, pegar sua bengala, sair da casa e caminhar em direção ao portão da frente.

A biógrafa de Virginia, Hermione Lee, suspeita que, ou foi durante a primeira volta à casa com Leonard ou na segunda volta para vestir seu casaco que Virginia deixou sua carta de suicídio para Leonard e sua irmã, Vanessa, sobre a mesa da sala de estar do andar de cima. Ela também deixou uma segunda carta para Leonard em seu lodge, apesar de não ficar claro quando ela colocou lá.

Depois que Virginia saiu pelo portão da frente, ela passou pela igreja em seu caminho para o rio Ouse. Ao longo do caminho, um aldeão, Bert Skinner, viu Virgina caminhando, mas não achou nada estranho em seu comportamento. Faltava aproximadamente 20 para o meio-dia quando John Hubbard, um trabalhador agrícola que estava limpando valas em um leito de vimeiro, também a viu caminhando na direção do rio. Ele frequentemente via Virginia caminhar ao longo do rio, mas normalmente era à tarde. Depois de observá-la por alguns minutos, ele foi para casa almoçar. Essa foi a última vez que alguém viu Virginia viva.

A 1 da tarde, Louie tocou o sino para o almoço. Leonard escreveu depois em sua biografia “Eu estava no jardim e pensei que ela estava na casa”. Quando Leonard foi à sala de estar do andar de cima para ouvir as notícias, ele encontrou a carta de suicídio. Após ler a que era endereçada a ele, Leonard desceu correndo as escadas gritando: “Louie! Acho que alguma coisa aconteceu com  Mrs. Woolf! Acho que ela pode ter tentado se matar!”.

Leonard fez buscas pela casa e pelo jardim enquanto Louie correu para buscar um amigo, Percy Bartholomew, que, por sua vez, localizou Wilfred Collins, o policial da vila. Eles imediatamente se dirigiram ao rio, onde era sabido que Virgina costumava dar longas caminhadas. Lá, Leonard achou pegadas de Virginia e marcas de sua bengala à beira do rio, mas não havia sinal dela. Alguns dos homens pularam na água enquanto outros trouxeram equipamentos e cordas para dragar o rio.

De acordo com Hermione Lee, Leonard buscou nas áreas próxima por qualquer sinal dela:

“Leonard pensou que Virginia poderia ter subido até as ruínas que chamavam de ‘Mad Misery’ ele e Louie foram procurar. Buscaram por ela ao longo das várzeas, à beira do rio e dos ribeirinhos, até que ficou noite e tiveram de desistir”. Vanessa estava em casa quando ele voltou. Ele deu a ela a notícia catastrófica. Dia após dia, incluindo este, Leonard escreveu em seu diário as milhas acumuladas em seu carro, mais as milhas daquele dia, que em 28 de março eram treze, após levar Vanessa de volta a Charleston. O resto do espaço é escurecido com uma mancha marrom amarelada que foi esfregada ou molhada. Pode ser café, chá ou lágrimas. Esse borrão é único em todos os anos de cuidados na manutenção do diário.

Mais tarde naquela noite, Leonard encontrou a segunda carta de suicídio que Virginia deixou para ele em seu lodge. Ele a examinou bastante e achou que ela era o que tinha visto Virginia escrever naquela manhã quando a visitou no lodge. A carta dizia:

Queridíssimo,

Quero lhe dizer que você me deu felicidade completa. Ninguém poderia fazer mais do que você fez. Por favor, creia nisso.
Mas eu sei que nunca superarei isto: e estou fazendo você desperdiçar sua vida. É essa loucura. Nada que alguém disser me persuadirá. Você pode trabalhar e ficará bem melhor sem mim. Veja que eu nem consigo escrever direito, o que mostra que estou certa. Tudo que quero dizer é que antes dessa doença chegar, éramos perfeitamente felizes. Tudo devido a você. Ninguém poderia ter sido tão bom como você foi, do primeiro dia até agora. Todos sabem disso.

V.

O corpo de Virginia foi encontrado três semanas depois após boiar próximo da ponte em Southease.

 

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Fonte:
Virginia Woolf blog/ Last day

Tradução:
Márcio Rodrigues/Maria Sônia

┼Ψ╬† sσnia ┼Ψ╬┼

Gosto de tudo da Inglaterra: literatura, filmes, séries, sitcons, sotaque, educação, polidez, costumes, parques, praças, arquitetura… Tudo! Fui Influenciada pela literatura inglesa que eu li avidamente. Morar lá é o meu objetivo de vida.