Trabalhos inéditos de Charlotte Brontë são encontrados

A sociedade Brontë descobriu manuscritos em um livro muito estimado que  pertenceu a mãe da escritora.

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Retrato de Charlotte Brontë, 1840. Photograph: Rischgitz/Getty Images

Um conto não publicado de Charlotte Brontë apresentando desvios e punições, assim como um poema recheado com ti e te, foram descobertos dentro de um livro que pertenceu a mãe da romancista.

Maria Brontë morreu quando seus seis filhos – as autoras Emily, Charlotte e Anne entre outros- eram muito jovens. Entre as poucas posses que ela deixou para trás estava uma cópia de “The Remains of Henry Kirke White” de Robert Southey, o qual era muito estimado pela família, de acordo com a sociedade Brontë. Recheado com anotações ,esboços e marcações de vários membros da família, o volume recém adquirido pela sociedade contém também um manuscrito não publicado da adolescente Charlotte grudado entre as páginas. “Nós sabíamos que o livro existia mas não sabíamos que tinha esses papéis dentro”, disse a porta-voz Rebecca  Yorke.  “Eles nunca haviam sido publicados nem haviam surgido antes”.

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A família vendeu o livro depois da morte do pai de charlote, Patrick, em 1861. O livro viajou da casa da família em Haworth para os EUA, onde eventualmente acabou nas mãos de um colecionador de livros americano. O circuito será completado no ano novo, quando o volume duplo ficará em exposição no Brontë Parsonage Museum em Haworth. A sociedade recebeu 170.000 libras do National Heritage Memorial Fund, em adição as contribuições da V&A Purchase Grant Fund e da Friends of the National Libraries.

A gerente de coleções Ann Dinsdale chamou o livro de “um dos mais significativos itens  Brontë surgidos em muitos anos”.

Ela descreveu as descobertas como “extremamente importantes”. O livro era “claramente muito usado e de grande valor sentimental para as crianças  Brontë, que perderam sua mãe quando eram muito jovens. Além  disso,  os escritos inéditos de Charlotte oferecem novas oportunidades para pesquisa, as quais são realmente emocionantes”.

Ambas as partes do trabalho relatam o mundo de fantasia de Angria imaginado por Charlotte e seu irmão Branwell em uma série de curtos livros. “Ele desempenhou uma importante papel nas suas vidas”, disse Dinsdale. “ Tudo que eles leram e todos que eles conheceram em Haworth alimentaram seu mundo imaginário.”

O conto apresenta uma punição pública a um desvio de conduta por parte de um  capelão Wesliano, uma caricatura do Reverendo John Winterbottom – um oponente religioso do pai das crianças. Winterbotton é “arrastado da sua cama no meio da noite” e depois “é levado pelos calcanhares de um lado da vila para o outro”, escreve Charlotte na história.

O poema traz Mary Percy, a esposa doente de amor do rei de angria, Zamorna, e “uma caracterização de um dos  líderes de angria”, diz Dinsdale. “É um poema muito ambicioso para uma jovem garota, cheio de ti e tes”, ela adiciona.

“Mary thou dids’t not know that I was nigh / Thou dids’t not know my gaze was fixed on thee,” the poem opens. “I stood apart and watched thee passing by / In all thy calm unconscious majesty.”

As peças foram datadas a 1833, quando Charlotte teria por volta de 17 anos. A história tem 74 linhas e o poema 77. Dinsdale disse que seria do interesse dos leitores gerais, bem como dos estudiosos. “É interessante para quem se interessa pela vida de Charlotte, e por causa da trágica história dos Brontës, suas vidas são particularmente atraentes para uma ampla gama de pessoas”, ela diz.

A historiadora Juliet Barker, autora da biografia Os Brontës, disse que “só o livro é uma aquisição de valor por causa de rara associação com Mrs Brontë antes do casamento com Patrick, mas o seu valor é maior pelos manuscritos encontrados dentro”.

De Acordo com A sociedade Brontë, o livro de Southey é uma das raros bens sobreviventes de Maria, depois que uma caixa contendo todas as suas posses naufragou fora da costa de Devon antes de seu casamento com Patrick Brontë em 1812. Apresenta também, o livro, uma inscrição em latim de Patrick:

“O livro era  de minha amada esposa e foi salvo das ondas. Então será para sempre preservado”.

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Fonte: The guradian

 

 

Dandara Machado

Sou de Santa Maria-RS. Amo literatura inglesa e pretendo cursar Letras Bacharelado e tradução inglês-português; mas estou fazendo ciências sociais. Minhas escritoras preferidas são Jane Austen, Anne Brontë, Charlotte Brontë, Georgette Heyer, Elizabeth Gaskell, Frances Burney, Virginia woolf e Katherine Mansfield (KM é a melhor de todas, na minha opinião, e meu conto preferido é "A casa de Bonecas”). Meus livros amados são Jane Eyre e Razão e Sentimento. Contato: dandaramachado210@gmail.com