Tess of the D’Urbervilles (Thomas Hardy)

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Foto: © 2016 The Book Castle |  http://thebookcastle.blogspot.com.br/

Muitos best-sellers citam clássicos, e entre os autores que mais me deparo estão: Jane Austen, as irmãs Bronte, J. D. Salinger, Charles Dickens, entre outros. Mas não tenho visto Thomas Hardy sendo mencionado em muitos livros. Mais recentemente o encontrei sendo citado em um livro que tem enlouquecido a maioria da mulherada por aí. Sim, estou falando de “Cinquenta tons de cinza” de E. L. James. Ana, a protagonista de James, é apaixonada por livros e ganha do sedutor multi-milionário Christian Gray uma edição raríssima da obra de Hardy. Não, eu não gostei do livro de E. L. James, mas não estou aqui para falar dele. Mas há males que vem para ao bem, e ler “Cinquenta tons de cinza” me fez querer falar sobre Tess com vocês.

Li “Tess of the D’Urbervilles” há alguns dias atrás, depois de conferir a série da BBC e me apaixonar por esta história tão trágica. É um livro difícil de achar em português; consegui encontrar uma edição bem antiga na biblioteca pública da minha cidade. E, não é uma leitura fácil por diversos motivos: entre eles, as descrições detalhadas de Hardy do cenário campestre em que a história ocorre, mas principalmente pelo destino tão sofrido da protagonista. O autor é famoso por seus livros funestos, por fazer da desgraça algo constante na vida de seus personagens, e a pobre Tess não poderia ter um destino diferente nas mãos de seu criador.

O livro nos conta uma história de amor um tanto triste vivida por uma desafortunada e pobre, porém jovem e bela, camponesa do séc. XIX e seus infortúnios ao descobrir que seu sobrenome pertence a uma linhagem nobre.

Tess Dubeyfield, a filha mais velha da humilde e numerosa da família do Mr. John Dubeyfield e Mrs. Joan Dubeyfield, é enviada por seus pais à procura de seus parentes, com intuito de melhorar financeiramente de vida ao ver a filha mais velha casada com algum parente rico.

A desgraça de Tess está materializada no suposto primo – na realidade, ele não é primo de Tess, pois só carrega o sobrenome por ter comprado o título nobre – Alec D’Urberville.

Entretanto, Alec D’Urberville não é o personagem mais interessante da história, afinal ele é o vilão, dissimulado e mau caráter. Mas, ainda há o herói Angel: um livre pensador, que parece não se importar com as “regras” da sociedade e busca trilhar seu próprio caminho e possuir seu próprio modo de ver o mundo. Parece o homem ideal para resgatar Tess das humilhações passadas e viver feliz para sempre.

Impossível não se compadecer pelos infortúnios de Tess e não se revoltar com a hipocrisia da sociedade de sua época; com a condição que uma mulher poderia ser submetida. Nem todos apreciam o excesso de pessimismo do autor Thomas Hardy (novelista e poeta inglês – 02 de junho de 1840 – 11 de janeiro de 1928), mas se refletirmos sobre o enredo veremos que a trama de “Tess of the D’Urbervilles” é muito mais que uma trágica história de amor: a dominação masculina, a injustiça social e a hipocrisia cristã da época também são abordadas nas entrelinhas do  romance.

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Minha classificação para esse livro é de  6/7- “Excelente”.

Além do livro há também as adaptações para o Cinema e TV: Não assisti ao filme, dirigido por Polanski em 1979, mas vi a série da BBC e super recomendo para quem não tiver a oportunidade de ler o livro.  Eis os links para mais detalhes: Série da BBC – Filme (1979).

 

Daniela Tiemi

Olá! Sou estudante de Letras e completamente apaixonada por literatura, e grande apreciadora das obras de Jane Austen. Escrevo para blogs literários há muitos anos sobre diversos gêneros. Hoje faço parte dos blogs "Livros, Filmes & Músicas" e "Leitura e Comidinhas". Gosto de viajar, assistir filmes e séries e passar o dia de pijama, sempre que possível!

  • Cris Paiva

    Eu vi esse livro no site da editora Pedrazul na parte de futuros lançamentos. http://www.pedrazuleditora.com.br/futuros-lancamentos-ct-9be7f

    • Maria Sônia Oliveira

      Sim. Tem ótima tradução e uma capa maravilhosa! Aguardamos ansiosos! 🙂

  • Taciana Guedes

    Eu gosto muito dessa estória,acho muito marcante – Thomas Hardy não coloca desgraças nas vidas dos seus personagens, não, ele se amostra. Sobre “Cinquenta Tons de Cinza”: provavelmente é a única coisa que presta naquele livro é a autora falar sobre a existência de “Tess of the D’Urberville”, pelo menos agora podemos esperar que alguma editora relance a obra para ficar mais fácil de encontrá-la.

    • Maria Sônia Oliveira

      Será lançado pela Editora Pedrazul ainda esse ano. Feito no capricho! O melhor é que a Pedrazul lançara também outro livro de Hardy: Longe desse Insensato Mundo. Ótimos lançamentos!

  • Rebeca Rodrigues

    Adorei a história. Também muito ouço falar deste autor mas nunca tive oportunidade de ler. Parece um livro maravilhoso.