Sonnets from the portuguese (EBB)

Elizabeth Barret Browning

Elizabeth Barret Browning

SONETO X

E porém, como é lindo o amor mais puro,
Merecedor de nosso aceitamento.
O fogo brilha, queima o acampamento
E estende sua luz sobre o monturo:

E o amor é fogo. Assim, quando eu te juro
Amor eterno… Vê! — o agitamento
Que tenho em face a ti, alteamento
E consciência desta luz que apuro,

Vertida em teu rosto. Pois não há amor
Banal quando ele ama banalmente,
Nem maldade se ela ama ao Criador.

E o que sinto, além do que há interiormente
No que sou, brilha e mostra seu fulgor
De Amor que eleva o Mundo grandemente.

SONETO XXI

Dize uma vez, e tantas, tantas mais,
Que tu me amas. E, embora o que me digas
Lembre um “cuco”, ou que assim tu o consigas,
Lembra, nunca às montanhas, matagais,

Vales ou estepes, poderá, sem tais
Sons, vir a Aurora e o que a ela se liga.
Amado, eu, entre as trevas que me abrigam,
Por uma voz dúbia e em dores duais,

Grito: “Dize uma vez mais, — meu amado!”
Pois quem teme as estrelas céu afora
Ou as flores que florescem no gramado?

Dize que me amas para sempre e agora,
E me ames, meu amor, mesmo calado
E pra si mesmo, com a alma toda.

SONETO XXXIII

Sim!, chama e deixa que eu ouça o apelido
Com que eu, nas brincadeiras da infância,
Deixava as flores com aquela ânsia
De ver o rosto que me era querido

P’lo brilho do olhar. Hoje está sumido
O tom da voz amiga que, em substância,
Se uniu ao Céu e a sua ressonância,
Não me chamando mais. E enquanto ouvido

For meu clamor, e a Deus ele se alçar,
Tua voz seja a herdeira dos finados
Que saiba o Sul co’o Norte florear,

Amando agora amores já passados.
Sim, me chama — que irei para onde estás
Levando o coração, jamais mudado.

SONETO XLI

Saúdo a quem me amou de coração,
Com saudações de igual força. Agradeço
A quem ouviu, do cárcere, o excesso
Do que cantava, antes que a canção

Fosse adiante e chegasse aos que estão
Nas ruas, muito além do que professo.
Mas tu, que, nesta voz que ergo e ensurdeço
Quando choro, usa de teus Dons que são

Instrumentos que a teus pés se prosternam,
Que solvem o que digo em meio ao pranto…,
Me ensina a agradecer-te! Ou que se abra

O sentido da alma às horas eternas
Pra que profiram e aclamem, portanto,
O Amor que fica e a Vida que se acaba!

SONETO LXIV

Tu já me ofereceste tantas flores
Roubadas do jardim, durante o estio
E inverno, que aqui, no quarto arredio,
Outras querem florir, co’outros ardores.

Assim, em nome de nossos amores,
Leva estes devaneios que reenvio
Arrancados em dias quentes e frios
De meu peito. E que grãos inferiores

Germinem em teus jardins, e que esperem
O amor em ti de novo florescer;
E que, como a hera que te dou, operem

Como aceitei as flores, sem encrudescer
E sem esvanecer as cores, se verem
Que suas raízes em mim foram crescer.

 

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Tradução: Mateus Mavericco
http://matheusmavericco.blogspot.com.br

┼Ψ╬† sσnia ┼Ψ╬┼

Gosto de tudo da Inglaterra: literatura, filmes, séries, sitcons, sotaque, educação, polidez, costumes, parques, praças, arquitetura… Tudo! Fui Influenciada pela literatura inglesa que eu li avidamente. Morar lá é o meu objetivo de vida.