Shirley (Charlotte Brontë)

Autor: Charlotte Brontë
Tradução: Fernanda Martins e Jessica Spilla
Editora: Pedrazul
Páginas:397

Capa Shirey, 1a ediçãoAmbientado na Inglaterra industrializada no período da guerra napoleônica, num tempo de más colheitas, motins dos artesãos desempregados e instabilidade econômica, Shirley é o romance mais diferente de Brontë. No ano de 1811 toda a região
de Yorkshire estava sob o peso de uma guerra que afetava o comércio de toda a Europa.
Usineiros de toda a região se viam forçados a lutar para manter seus negócios e famílias inteiras passavam fome numa miséria sem fim. É neste cenário que a vibrante, emancipada, inteligente e misteriosa jovem herdeira, Miss Shirley Keeldar,
completa a maioridade, e retorna à mansão de Fieldhead para assumir os negócios da família.  Nas terras de Miss Keeldar fica a sede do Moinho de Hollow, o maior da aldeia, palco dos principais conflitos sociais, cujo proprietário é seu inquilino Robert Moore. O jovem cavalheiro, belo e ambicio so, sofre pressão de todos os lados, pois é ao mesmo tempo o mais odiado dos patrões e o mais acalentado noivo das mulheres. Em contrapartida, vive também na aldeia a delicada órfã Miss Caroline Helstone, uma moça muito bonita, sobrinha do pároco da vila. Miss Helstone, embora aceitasse o fato da morte de seu pai e do desaparecimento de sua mãe, questionava o porquê de tanto mistério envolvido nesse caso. Seu tio se tornava arredio toda vez que ela ousava lhe fazer perguntas. Mas, um acontecimento traz à tona toda a verdade.
Mistério, intrigas, rebeliões, solidão, orgulho e paixão marcam este romance de final surpreendente.

 

 

”O amor pode desculpar qualquer coisa, exceto a maldade. A maldade mata o amor, aleija a afeição natural e, sem estima, o amor verdadeiro não pode existir.” 

Minha opinião:

Pelo que sabemos, Shirley foi escrito num determinado momento da vida em que Charlotte havia perdido os irmãos: Branwell (Setembro de 1848), Emily (Dezembro de 1848) e Anne (Maio de 1849). Shirley nada mais é que o retrato da sociedade do século XIX, representando a desigualdade entre os sexos e as classes.

Diferente de todos os outros romances, Shirley é narrado em terceira pessoa e tem um ar menos dramático, posso dizer que achei até um pouco cômica a maneira como ela descreve algumas situações. Vemos isso logo no início do livro, nas primeiras linhas:

“Nos últimos anos, uma chuva abundante de vigários caiu sobre o Norte da Inglaterra. Em qualquer colina se pode deparar com um deles e cada paróquia tem mais de um. Embora os jovens não sejam muito ativos, são, contudo, prestativos.”

Esse humor a acompanha durante todo o romance, contudo, como é característico de Charlotte Brontë, o drama também está ali presente.

lpd57w8G1b1qlba5io4_400A história se passa na época das Guerras Napoleônicas e Revolução industrial. Por conta dessas guerras aumenta-se a dificuldade dos comerciantes e a Revolução industrial traz consigo a miséria dos trabalhadores que são substituídos por maquinários e veem seus empregos perdidos. Isso, claro, gera muita revolta por parte deles.

Robert Moore, um personagem peculiar, dono de uma fábrica, se mostra a favor do progresso e defende com afinco suas ideias, chegando às vezes a parecer grosso, contudo, é um homem bonito, culto e, de certa forma, romântico. Tem dois irmãos: Hortense, que vive com ele e Louis que é professor, porém vive longe.

Shirley, a personagem principal, aparece praticamente no segundo volume da obra. Órfã e herdeira, Shirley Keeldar se mostra uma mulher de fortes opiniões, quase um homem de saias. É uma mulher que toma partido em muitos assuntos e tem uma voz forte, se fazendo ouvir por todos ao seu redor.

fa06b3f8bdaa4597e42f319018f4d799Podemos ver claramente em Caroline, apesar de seu jeito meigo, que ela também é uma mulher a procura de mais, podemos sentir seu desejo de liberdade quando ela diz que não quer apenas viver em casa sem ocupações, deseja ardentemente poder fazer algo na vida, ter funções assim como os homens.

Charlotte Brontë era uma feminista, é impossível não sentir a sua indignação sobre as injustiças cometidas pela sociedade com as mulheres, os menos afortunados, em como coisas fúteis e mesquinhas eram valorizadas. Em Jane Eyre, Virginia Woolf diz: “Nós abrimos Jane Eyre e somos envolvidos pela genialidade, veemência e indignação de Charlotte Brontë. É o intenso brilho vermelho do fogo do coração que ilumina suas páginas”. Eu digo que em Shirley esse brilho vermelho não se apagou, pois ainda podemos sentir esse brilho intenso incendiar cada uma das suas páginas.

Shirley é um livro que vale a pena ser lido e relido, pois além do romance maravilhoso entre os personagens, ele nos transporta para outra época onde ficamos conhecendo verdadeiramente sua história. Com essa obra, Charlotte Brontë conseguiu mais uma vez provar sua genialidade e posso dizer que esse livro entrou na minha lista de prediletos ocupando um lugar especial no meu coração. Termino com a declaração de amor de Mr. Moore para Shirley.

“Não tenho medo de você, Shirley, minha leoparda. Atrevo-me a viver para você e com você, desde este momento até a minha morte. Agora, portanto, você é minha. Nunca mais a deixarei ir embora. Seja a minha casa onde for, a minha mulher está escolhida. Se eu ficar na Inglaterra, aqui ela ficará; se eu atravessar o Atlântico, ela também atravessará. As nossas vidas estão soldadas uma à outra e os nosso destinos estão agrilhoados um ao outro.”

 

Resenha: Naiara Aimeé

┼Ψ╬† sσnia ┼Ψ╬┼

Gosto de tudo da Inglaterra: literatura, filmes, séries, sitcons, sotaque, educação, polidez, costumes, parques, praças, arquitetura… Tudo! Fui Influenciada pela literatura inglesa que eu li avidamente. Morar lá é o meu objetivo de vida.