Razão e Sentimento (Jane Austen)

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A história de Razão e Sentimento se desenvolve em torno das irmãs Dashwood, mais propriamente as mais velhas Elinor e Marianne. Já no primeiro capítulo é revelado como a família Dashwood se estabeleceu na residência de Norland Park e como, após a morte do Sr. Henry Dashwood, a senhora e as três senhoritas Dashwood ficaram à mercê da própria sorte…

Elinor, essa filha mais velha cujo conselho foi tão eficaz, era dotada de poder de compreensão e uma frieza de julgamento que a qualificavam, embora tivesse apenas dezenove anos, para ser conselheira de sua mãe… Sua disposição era sempre afetuosa e seus sentimentos eram fortes, mas ela sabia como governá-los.

As habilidades de Marianne eram, em muitos aspectos, bastante semelhantes às de Elinor. Ela era sensata e astuta, mas ansiosa em tudo; suas tristezas e alegrias jamais tinham moderação. Era generosa, amável, interessante; era tudo, menos prudente.

Margaret, a outra irmã, era uma garota bem-humorada e bem-disposta; mas como assimilara uma boa dose do romantismo de Marianne sem ter muito de seu bom-senso, não oferecia, aos treze anos, a perspectiva de que fosse se igualar a suas irmãs em um período mais avançado da vida.

A senhora John Dashwood, nora do senhor Dashwood é descrita como “tacanha e egoísta” e assim que ele morre ela se instala em Norland Park como “a soberana” já que seu marido herdou a propriedade. Ela não vê com bons olhos o último pedido do Sr. Dashwood a seu filho: o de proteger e prover suas meias irmãs e a mãe delas. Ela o convence a não ajuda-las da forma apropriada como seu sogro queria.

Apesar de se sentir “indesejável” e até “um peixe fora d’água” com a chegada de sua nora a propriedade de Norland Park, a senhora Daswood decide permanecer devido a possibilidade de sua Elinor se casar com Edward Ferrars, irmão “tímido e afetuoso” da senhora John Dashwood. Era o filho mais velho dos Ferrars, portanto herdeiro de grande fortuna. Mas para a sentimental Marianne ele não era suficiente para sua irmã:

Faltam nos olhos dele o espírito e o fogo que anunciam ao mesmo tempo a inteligência e a virtude.”

Ela ainda acrescenta “…quanto mais sei sobre o mundo, mais fico convencida de que nunca encontrarei um homem a quem eu possa realmente amar. Eu tenho tantas exigências! “Na visão de Marianne “o dinheiro só pode proporcionar felicidade quando não há nada mais que a proporcione”.

Certo dia, a Sra. Dashwood, que já não aguentava mais as desfeitas da Sra. John Dashwood principalmente depois de perceber que Elinor alimentava um sentimento por seu irmão, recebeu uma carta de seu primo John Middleton convidando-as a morar em Barton Cottage.

Lá conhecem o misterioso coronel Brandon.

“Seu aspecto contudo não era desagradável, muito embora ele fosse, na opinião de Marianne e Margaret, um solteirão rematado, porque já estava no lado errado dos 35; mas mesmo que seu rosto não fosse bonito, sua fisionomia era sensata, e seu trato era particularmente cavalheiresco”.

Conhecem também a Sra. Jennings que “não perdia nenhuma oportunidade para planejar os casamentos entre todos os jovens do seu círculo de conhecidos”. Esta era a sogra do Sr. Middleton. Ela pronunciou “decisivamente que o coronel Brandon estava apaixonado por Marianne Dashwood” já que este a ouvia atentamente cantar e tocar nos jantares. Para ela “eles formariam um excelente casal, porque ele era rico e ela era bonita.” Mas Marianne sempre o tratava com indiferença o que causava certa dor no coração do misterioso coronel Brandon.

Mas o destino levou a sentimental Marianne por outros ventos. Ela conheceu “acidentalmente” o Sr. Willoughby :

Sua beleza máscula e sua graciosidade fora do comum se constituíram instantaneamente no tema de veneração geral, e o riso que sua galantaria levantou contra Marianne ganhou vivacidade particular por causa desses atrativos exteriores. A própria Marianne vira menos na figura dele do que as demais, porque a confusão que afogueara seu rosto, quando ele a pegara nos braços, roubara dela qualquer capacidade de observá-lo..”. …” A figura e o porte do Sr. Wlloughby eram iguais ao esboço que sua fantasia já desenhara para personificar o herói de uma história favorita.”

Com o passar do tempo “os dois rapidamente descobriram que o gosto por dança e música era mútuo” o gosto pelos mesmos livros também.

“Willoughby, por sua vez, dava todas as provas de que estava encantado …um desejo evidente de aprofundar essa relação de amizade. “Marianne estava apaixonada por ele.

Mas a desconfiança de Elinor quanto a reputação de Willoughby prevaleceu. Para ela que era tão racional, o coronel Brandon inspirava confiança, enquanto Willoughby ainda precisava de uma investigação mais detalhada. O tempo passou e Elinor não conseguia confiar em Willoughby. Este estava cada vez mais próximo de sua irmã. Elinor desconfiava que estavam noivos em segredo e isso a preocupava, havia algo em sua intuição que dizia que ele não era digno de sua irmã.

A cada dia Marianne estava mais encantada com Willoughby e este, aparentemente, por ela. Mas certo dia, a Sra. Dashwood e suas outras irmãs encontraram a cena “Marianne saiu às pressas da sala, aparentemente em aflição violenta, com o lenço nos olhos, e subiu correndo as escadas sem dar atenção à presença delas…” e “encontraram apenas Willoughby, que estava encostado na cornija da lareira, de costas para elas.” Era o início de uma longa jornada para Elinor em busca da verdade.

Enquanto isso, o também misterioso Edward Ferrars resolve visitar suas estimadas amigas em Barton Cottage. Abatido, mais introspectivo, melancólico e tímido do que o normal encontrou-as no campo despertando a curiosidade de Elinor. Mas com o passar dos dias “suas horas felizes ao lado das amigas eram desfrutadas ao máximo”, aproximando-se mais de Elinor. Depois de uma semana ele partiu.

A Sra. Jennings convidou as irmãs Dashwood mais velhas para passar um tempo em sua casa em Londres. Lá elas encontraram seus conhecidos que também tinham casas na cidade. Marianne assim que chegou escreveu para Willoughby anunciando que estava na mesma cidade que ele e queria encontra-lo. Mas os dias passaram e ela não recebeu nenhum bilhete. Elinor ficava cada vez mais desconfiada e a sentimental Marianne caiu em dor, mágoa, dúvida e tristeza profunda. Até o dia em que Marianne e Elinor encontraram Willoughby na companhia de uma jovem dama. Era o início do fim. Suas expectativas foram frustradas e o carácter, ou a falta dele, foi confirmado principalmente após o coronel Brandon revelar seu segredo a Elinor.

A sra. Jennings em conversa com Elinor: “Bem minha querida, é verdadeiro isso que dizem sobre males que servem ao bem, pois será tanto melhor para o coronel Brandon. Ele a terá finalmente.” Era só uma questão de tempo.

Marianne caiu em doença misteriosa e ficou à beira da morte. Quando o egoísta, fanfarrão e imaturo Willoughby ficou sabendo, estava casado e arrependido de seu casamento por interesse financeiro e social. Foi ao encontro de Elinor para explicar seu inexplicável comportamento e implorar o perdão de Marianne que já o havia perdoado.

Quando me tornei íntimo de sua família, eu não tinha nenhuma outra intenção, nenhum outro objetivo, nessa amizade, que não fosse passar meu tempo agradavelmente enquanto eu era obrigado a permanecer em Devonshire, mais agradavelmente do que jamais passara. A figura encantadora e as maneiras interessantes da sua irmã não poderiam deixar de me agradar…Ignorando a felicidade dela, pensando apenas em minha própria diversão, dando vazão a sentimentos que eu sempre tivera o hábito de favorecer, eu procurei, através de todos os meios em meu poder, me fazer agradável aos olhos dela, sem a menor intenção de retribuir seu afeto”.

Ele arrependido, descobriu que amava Marianne e não suportava sua esposa, mas já era tarde.

Enquanto Marianne sofria, Elinor em uma conversa com Lucy Steele descobriu que seu estimado amor secreto Edward Ferrars era o noivo secreto dela. Ela mal podia acreditar, mas sua razão não a fez perder sua compostura e em sua frieza escondeu seus sentimentos de Lucy Steele com a finalidade de investigar se o que ela dizia era realmente verdade. Elinor, abatida por dentro e impecável por fora, descobriu que o relato da Srta. Steele era verdadeiro. Depois de Edward ter sido “expulso” da família por assumir publicamente que não se casaria com a senhorita rica que sua mãe insistia porque já estava noivo de Lucy (que não tinha dote), ele foi para Oxford.

Edward estava noivo de Lucy a muitos anos. Se comprometeu com ela ainda muito jovem, já não sentia amor por ela e sim por Elinor, mas como era um homem de palavra, assumiu seu noivado mesmo sabendo que seria deserdado. O coronel Brandon, compadecendo-se do fato de Edward não ter mais posses para se manter e manter um provável casamento, ofereceu o presbitério de Delaford a ele. Lucy Steele, em sua vaidade, interessou-se pelo novo herdeiro dos Ferrars, Robert, já que Edward foi “deserdado” por assumir um compromisso com ela e em um “golpe” seduziu Robert e se casou em segredo com ela para a felicidade de Elinor já que o caminho estaria livre para ela.

Quando Elinor se casou com Edward foi morar em Delaford, os encontros entre as Dashwood e o coronel Brandon se intensificaram e o tempo finalmente aproximou Marianne e o coronel que “ agora estava tão feliz quanto todos aqueles que melhor o amavam acreditavam que ele merecia ser; em Marianne ele foi consolado por todas as aflições assadas; o carinho e a companhia da esposa restauram em sua mente o entusiasmo, e no espírito a jovialidade; e que Marianne encontrava sua própria felicidade formando a dele.”

Razão e Sentimento, a pesar de ter sido publicado em 1811, é uma história muito atual. Quantas e quantas “Mariannes” e “Elinors” conhecemos? Lendo Razão e sentimento eu descobri que já fui uma “Marianne” e hoje sou uma “quase Elinor”. Podemos descobrir também através das irmãs Dashwood que a tendência de evolução psicológica feminina é o equilíbrio entre a razão e o sentimento.

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Solange Peretti

Sou uma Química cosmética proprietária do blog Desvendando Cosméticos e alguns outros, alquimista amante de poções do amor. Nas horas vagas a literatura, a escrita e os filmes de época me fazem companhia. Contato: solangeperetti@yahoo.com.br