Razão e Sensibilidade (Jane Austen)

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Em uma carta datada de 25 de abril de 1811, quinta feira, Jane Austen respondia a perguntas de sua querida irmã, Cassandra, sobre os progressos da publicação de seu primeiro romance: “Não, na verdade, nunca estou ocupada demais para pensar em R&S. Não consigo esquecer esse livro, como uma mãe não esquece a criança que amamenta…”

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Razão e Sensibilidade foi o primeiro romance publicado de Jane Austen, no ano de 1811, e fala, basicamente, sobre equilíbrio. A autora nos conta a história das irmãs Dashwood, que são a personificação dos sentimentos de sensatez e sensibilidade.

A história começa com a morte do Sr. Dashwood, que fez com que sua viúva e as três filhas, além da perda, amargassem a mudança para uma residência menor e tivessem uma redução considerável de suas rendas, já que a propriedade e boa parte do dinheiro dele passaram para o seu filho John, fruto de seu primeiro casamento. Naquela época a herança passava totalmente ou em maior parte para um herdeiro. Se não houvesse nenhum filho, a herança passava para outro parente mais próximo, desde que do sexo masculino.

“Mal havia passado o funeral, a Sra. John Dashwood, sem avisar a sogra de suas intenções, chegou com o filho e as criadas. Ninguém poderia contestar seu direito: a casa era do marido após a morte do pai.” (pág. 78)

As irmãs Dashwood mais velhas, Elinor e Marianne, passam por situações em que seus sentimentos são levados ao extremo e em que o uso “excessivo” da razão (ou do sentimento) pode ou não confortar seus corações. Elinor é a mais sensata, inclusive mais sensata que a própria mãe. Contudo, sua clareza de pensamento não é capaz de livrá-la de alguns sofrimentos e percalços. Marianne é a vivacidade em pessoa. Ama ao extremo. Nada menos que o amor lhe é suficiente. Com o desenrolar da história, as irmãs vão aprendendo a balancear suas emoções, tentando mesclar as características de cada uma, mas sem perderem a sua essência.

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“Elinor, a filha mais velha, cujos conselhos foram tão efetivos, possuía a força do entendimento e a tranquilidade do juízo, que a qualificavam, embora tivesse apenas dezenove anos, a ser a conselheira da mãe, e lhe permitiam muitas vezes contrabalançar, para benefício de todas, aquele espírito inquieto da sra. Dashwood que em geral a levava a  imprudência. Tinha muito bom coração, sua disposição era afetuosa e seus sentimentos fortes; mas ela sabia como governá-los. Era um conhecimento que sua mãe ainda precisava adquirir, e uma de suas irmãs estava decidida a nunca aprender.

Os talentos de Marianne eram, em muitos aspectos, bastante parecidos com os de Elinor. Ela era sensível e inteligente, mas ardorosa em tudo: tristeza, alegrias, nada nela era moderado. Era generosa, amável, interessante: era tudo, menos prudente. A semelhança com a mãe era impressionante.” (pág. 79)

Aqui também temos personagens masculinos maravilhosos e marcantes, apesar de a história ser contada  mais pela visão de Elinor, Edward Ferrars, Coronel Brandon, Willoughby… São todos inesquecíveis, cada qual a sua maneira.

Nesse diálogo entre a sra.Dashwood e Edward Ferrars, ele diz:

“Como acredito que sejam moderados os desejos do resto do mundo. Eu também quero ser feliz como todo mundo; mas como todo mundo, apenas se for a minha maneira. Isso a grandeza não me proporcionará.” (pag. 171)

Razão e Sensibilidade é um dos melhores livros de Jane Austen, em minha opinião. É uma história que fala da amizade entre irmãs e do amor à família. É aprender que a vida é uma eterna busca pelo equilíbrio entre a razão e o sentimento. Recomendo a leitura!

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Título: Razão e Sensibilidade
Autor: Jane Austen
Tradução:  Alexandre Barbosa de Souza
Editora: Penguin Companhia
Páginas: 512
Avaliação: 5/5 estrelas e favorito

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Tamires de Carvalho

Estudante de Letras (Português/Literaturas), sempre foi apaixonada pelo universo dos livros. Descobriu na Literatura Inglesa uma grande fonte de prazer e inspiração. Também acha estranho falar de si mesma na terceira pessoa. Contato: ts.carvalhosantos@gmail.com

  • Leila Maciel

    Ao ler esse livro percebi que sou mais Elinor do que Marianne.

    • Tamires

      Também acho que sou mais Elinor. 🙂