Perdido em Austen: Celebrando 240 anos

Por Jack Watkins

Nós olhamos para trás na vida e obra de Jane Austen, um dos autores mais populares da Grã-Bretanha, com o 240 º aniversário do seu nascimento no próximo mês. 

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Pride and Prejudice ilustration by Ana and Helena Balbusso (Exclusively from foliosociety.com)

No mundo dos dramas de época de televisão, os romances ingleses clássicos de Charles Dickens, Thomas Hardy e Jane Austen parecem particularmente os favoritos em adaptações. Não é nenhuma grande surpresa. Dickens, com seu elenco de excêntricos, oferece cor e uma narrativa emocionante. Contos de Hardy apresentam protagonistas trágicos retratados com cores vivas, pungência quase insuportável e são incomparáveis por seu senso de lugar. Os romances de Austen são caracterizados por uma deliciosa comédia de costumes, sátira social georgiana e grande visão sobre as complicações do romance e relações humanas.

No entanto, enquanto Dickens e Hardy foram best-sellers em seus dias, levou mais tempo para os leitores agarrar-se ao apelo de Jane Austen; ela escreveu anonimamente, o que significava não ter nenhum culto de seguidores em torno de seu nome – embora o Príncipe Regente (George IV) fosse um admirador de seu trabalho e ela dedicou Emma a ele. Apesar das vendas constantes, seus livros estavam fora de catálogo há cerca de uma década depois de sua morte prematura em 1817, com idade 41. Foi somente em 1833 que todos os seis romances, incluindo a Abadia de Northanger publicado postumamente e Persuasão, foram trazidos pela primeira vez em uma coletânea. Eles têm sido impressos desde então.

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Jane Austen Published by Richard Bentley in 1870, after Cassandra Austen (National Portrait Gallery, London)

Em comparação com a auto-promoção energética de Dickens, Austen levou uma vida relativamente tranquila. Alta e magra, ela nunca se casou, embora digam que ela se apaixonou por um jovem clérigo enquanto estava de férias na estância balnearia de Sidmouth, Devon, em 1801. Ela pode até ter contemplado em se casar com ele, de acordo com a sua irmã Cassandra, se ele não tivesse morrido. Um ano depois, ela recebeu sua única proposta de casamento conhecida vinda de Harris Bigg-Wither, que ela a princípio aceitou (tendo percebido seu erro durante a noite) e mudando de ideia na manhã seguinte. E após isso, estabeleceu-se na vida como uma tia, enquanto produzia de forma intima romances em pequena escala “sobre quatro de cinco famílias em uma vila no interior”.

O primeiro deles foi Razão e Sensibilidade, publicado em 1811 – a página do título meramente mencionava que era “por uma senhora” – seguido de Orgulho e Preconceito, em 1813, que Austen descreveu como “seu próprio filho querido”.

Mansfield Park foi o que mais rendeu, vendendo mais do que qualquer dos outros romances.

Emma, lançado em 1815, foi o último a ser publicado em sua vida.

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Chatsworth House (Chatsworth House Trust)

Embora seja verdade que o pano de fundo em que estes livros se desenrolavam era relativamente estreito e grande parte das ações (frequentemente argumentado que faltava alguma coisa) foram criadas dentro de casa, as histórias eram em locações britânicas bem impressionantes. Austen e seus irmãos divertiam-se em visitar locais de beleza pitoresca e às vezes ela os trazia para seus escritos. Um dos capítulos mais memoráveis da Emma, por exemplo, é situado nas encostas de Box Hill em Surrey, e um passeio a Midlands em 1806 incluiu uma visita à Chatsworth, o que provavelmente se tornou o modelo para Pemberley de Mr. Darcy. O West Country, na cidade termal de Bath, foi outra locação importante, embora a própria Austen ficasse, nitidamente, irritada com as reuniões sociais vazias e pomposas, foi tanto em Abadia de Northanger (sua paródia de ficção gótica) quanto em Persuasão.

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Austen’home in Chawton (Hampshire County Council/visitBritain)

Jane Austen viveu na cidade entre 1801 e 1805, mas seus romances foram escritos em uma casa na aldeia de Chawton, Hampshire, onde ela se mudou com Cassandra em 1809. Foi lá que ela realmente encontrou tempo para escrever e aguçar seu estilo, embora seus últimos dias foram passados na cidade da catedral de Winchester, depois que ela foi lá para uma consulta médica quando se viu gravemente doente. Ela foi enterrada na catedral, mas como uma medida de quão pouco suas realizações eram conhecidos na época, a placa comemorativa não faz nenhuma menção de seus livros.

Por volta do século 20, Austen teve muitos campeões literários. A casa em Chawton foi aberta como um museu dedicado a sua vida em 1949, época em que Hollywood produziu a primeira adaptação para o cinema de um dos seus romances, Orgulho e Preconceito, lançado em 1940 pela MGM, estrelado por Laurence Olivier como Mr Darcy e Greer Garson como Elizabeth Bennet. No entanto, a ironia e sagacidade de Austen foram mais bem servidas por ofertas mais recentes, mas é um fato notável que ela foi muito negligenciada pelos cineastas britânicos até meados dos anos 1990, quando seis adaptações de suas novelas foram produzidas.

A adaptação a receber a maior atenção é a versão da BBC de Orgulho e Preconceito, foi ao ar ao longo de seis episódios nas noites de domingo em 1995. Com um roteiro de Andrew Davies, atraiu um publico de mais de 10 milhões de pessoas.

A famosa cena do lago (“um dos momentos mais memoráveis da história da TV”, babava o The Guardian), em que Darcy, interpretado por Colin Firth, despojado de sua camisa para um mergulho rápido, era apenas um dos muitos deleites.

O elenco era uniformemente excelente, não apenas o pouco conhecido Firth, mas Jennifer Ehle como Elizabeth. Alison Steadman, Benjamin Whitrow, Julia Sawalha e David Bamber roubaram suas partes das cenas.

Desde então, o apetite do publico com Jane Austen continuou a ser servido com todos os tipos de adaptações, do filme cult teen – As Patricinhas de Beverly Hills, a produção musical de Bollywood – Bride and Prejudice. Nada, porém, supera ler os livros. Em 2003, a BBC realizou uma pesquisa para encontrar o romance mais amado da nação: Orgulho e Preconceito, seguido na lista por O Senhor dos Anéis de JRR Tolkien. Nada mal para uma escritora nascida 240 anos atrás, em dezembro, cujo nome nem sequer apareceu em seu primeiro manuscrito.

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Traduzido (com permissão) do site www.luxurylondon.co.uk

Marcia Bock Belloube

Tradutora e revisora, apaixonada por livros, filmes e cultura britânica. Fã e leitora incondicional de Jane Austen e Chalortte Bronte, mas não recuso um bom livro de escritores contemporâneos.

  • Dandara Machado

    Adorei!
    Dandara