O Segredo de Chimneys

 

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Ora, os vagabundos e os aristocratas pouco se incomodam, fazem a primeira coisa que lhes passa pela cabeça e não se importam com o que os outros possam pensar… Sempre encontrei o mesmo nas classes mais altas: destemor, autenticidade, e alguma vezes extrema tolice.

Esse foi pra mim um dos romances policiais (ou intriga política, se for ser mais exata) mais divertidos da Agatha Christie. E quando digo divertido, não é apenas no sentido de ter um bom mistério para se tentar desvendar, mas no acúmulo de situações algo absurdas, nos personagens carismáticos, nos diálogos afiados… Um divertido que provoca riso – algo que nem sempre se correlaciona com histórias de suspense.

Tudo começa quando Anthony Cade é incumbido de transportar do Egito para Londres um manuscrito com as memórias de um famoso aristocrata de um pequeno país das Bálcãs. Problema é que essas memórias podem comprometer o sucesso do retorno da monarquia pós-revolução à Herzolováquia – o que, por sua vez, afetaria uma série de interesses de pessoas poderosas em meio mundo (tem petróleo no meio… tinha que ter…).

Assim é que Cade acaba se envolvendo numa trama de chantagem, assassinatos, identidades secretas e investigações internacionais envolvendo príncipes sem trono, ladrões mundialmente conhecidos, organizações revolucionárias desastradas, pares do reino e a bela e intoxicante Mrs. Virginia Revel.

Vou ser sincera: os crimes, em si, não me interessaram tanto. Não há nada terrivelmente original ou diferente nos motivos e na forma com que os criminosos agem – pelo contrário, para acreditar em todas as intrigas que ocorrem, você precisa de uma dose razoável de suspensão de descrença. O que realmente prende a atenção em O Segredo de Chimneys são as milhares de pistas falsas e viradas de enredo que chegam a te deixar tonto, os personagens e o humor que permeia as relações entre eles.

O marquês de Caterham me fazia sorrir toda vez que entrava em cena; Lomax com seu apego ao segredo e as maneiras fazia-me revirar os olhos bem humorada; Virginia e Bundle são mulheres independentes, decididas e agradáveis de acompanhar e o superintendente Battle é misterioso e aparentemente onipresente.

Mas é Cade que rouba a cena, que faz com que nos apaixonemos pelo livro. Divertido, charmoso, cavalheiresco, o homem certo na hora certa: ele rouba a cena do começo ao fim.

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Luciana Darce

Sou uma bibliófila desde que me entendo por gente e leio praticamente de tudo um pouco. Administro o Coruja em Teto de Zinco Quente e sou mediadora de um clube do livro voltado ao debate de clássicos. E nas horas vagas, sou advogada. Você pode me encontrar escrevendo para luciana.darce@gmail.com