O QUE JANE AUSTEN ASSISTIRIA? UM GUIA DE FÃS PARA AS ADAPTAÇÕES DE AUSTEN

O MELHOR (E O RESTANTE) DOS FILMES FEITOS A PARTIR DOS ROMANCES DE JANE AUSTEN. DEIXE OS COCHICHOS DE DISCORDÂNCIA COMEÇAREM.

Pobre Jane Austen. Meros seis romances completos antes de um final infeliz que ela teria poupado a todas as suas heroínas. Mas essa modesta produção impressa aumentou consideravelmente na tela: mais de 60 adaptações contabilizadas, com uma nova à caminho (“Amor e Amizade,” Sexta-feira, 13 de maio de 2016).

Não fique compulsiva por esses filmes. Eles se passarão em um borrão de cavalos a galope, prados lavados pela chuva, vestidos de musselina, chapéus de palha, danças de salão e redação de cartas exuberantes.

Aqui, um guia seletivo de fãs com o melhor e o restante, avaliados em uma escala de zero a cinco bonnets. Sinta-se livre para discordar. Polidamente.

UMA PORÇÃO DE DARCYS

Jennifer Ehle and Colin Firth (1995) BBC

Jennifer Ehle and Colin Firth (1995) BBC

ORGULHO E PRECONCEITO (1995)

Qualquer discussão sobre as adaptações de Austen deve começar por “Orgulho e Preconceito” de 1995 da BBC. Aquela sequência ardente! Aquela camisa molhada! Essa minissérie, estrelada por Jennifer Ehle como Elizabeth Bennet e Colin Firth como Mr. Darcy, deu origem a moderna indústria Jane Austen. Contudo, tão quente como a produção é o roteiro, de Andrew Davies, que é surpreendentemente fiel ao texto. Trechos enormes dele são palavra por palavras dos diálogos espirituosos.

Classificação: 5

 

ORGULHO E PRECONCEITO (1940)

Laurence Olivier and Greer Garson in Pride and Prejudice

Distopia e drogas psicodélicas, você pensa quando se lembra de Aldous Huxley. Mas ele tem o crédito de ter sido o escritor dessa maliciosamente engraçada adaptação estrelada por Laurence Olivier (ele de Orgulho) e Greer Garson (ela de preconceito). O mais engraçado dos filmes de Jane Austen. Boa pelo ponto de vista anacrônico também: “Essa é a notícia mais animadora desde a Batalha de Waterloo!” Uma encantada Mrs. Bennet exclama quando ouve que um homem solteiro de grande fortuna se mudou para a vizinhança. A batalha ainda estava por ser travada.

Classificação: 5

 

O DIÁRIO DE BRIDGET JONES (2001)

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A representação carinhosa do fenômeno Colin Firth de Helen Fielding funciona como uma releitura contemporânea de Orgulho e Preconceito. Renée Zellweger é o contrário de Lizzy, mas Firth corajosamente revive seu Darcy. Andrew Davies leva o crédito pelo roteiro novamente.

Classificação: 4

 

ORGULHO E PRECONCEITO (1980)

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Elizabeth Bennet e Mr Darcy em Pride and Prejudice1980.

David Rintoul é o mais gélido dos Darcys antes do efeito Firth da BBC. Sinta o brrrrr.

Classificação: 3

 

MORTE EM PEMBERLEY (2013)

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Certo, não é realmente uma adaptação, já que a falecida a escritora de mistérios P.D. James escreveu sobre seis anos depois do casamento. Mas se você está cansado de Matthew Rhys acumulando corpos em The Americans (Os Americanos), tente esse Darcy. (A coestrela de Americans, Keri Russel, é a superfã do Senhor Darcy de Austenlândia de 2013, sobre o qual quanto menos se falar, melhor).

Classificação: 2

 

ORGULHO E PRECONCEITO (2005)

2005 Focus Features

2005 Focus Features

As opiniões são divididas aqui. Se você gosta de sua Lizzy mais ardente que engraçada, bem, essa é para vocês, fãs de Keira Knightley. Um pouco bronteana para algumas Janeites, que veem muito de Heathcliff no Darcy de Matthew Macfadyen. (Carey Mulligan faz sua estreia em longas-metragens aqui como a quarta irmã Bennet, Kitty; ela se gradua como vilã em “A abadia de Northanger”, dois anos mais tarde.

Classificação: 2

 

NOIVA E PRECONCEITO (2004)

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A versão musical de Bollywood. Assista pela apresentação engraçada de “Não há vida sem esposa”.

Classificação: 

 

ORGULHO E PRECONCEITO E ZUMBIS (2016)

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Sam Riley, Lily James e Matt Smith em Pride and Prejudice and Zombies – Credit: Jay Maidment

Há dois tipos de pessoas no mundo, aqueles que gostam de Jane Austen e aqueles que gostam de Zumbis. Não confundam.

Classificação: zero

 

UM BANDO DE EMMAS

 

EMMA (1996)

EMMA, Jeremy Northam, Gwyneth Paltrow, 1996, (c) Miramax

EMMA, Jeremy Northam, Gwyneth Paltrow, 1996, (c) Miramax

Gwyneth Paltrow como a maior casamenteira cômica de Austen. Cupidos e maquinações. Melhor cena: Emma rotula casualmente Miss Bates de “muito aborrecida realmente”.

Classificação: 4

 

CLUELESS OU AS PATRICINHAS DE BEVERLY HILLS (1995)

Alicia Silverstone in “Clueless” (1995), loosely based on “Emma.” Credit Paramount Pictures, via Photofest

Alicia Silverstone em “Clueless” (1995), baseado em “Emma.” Creditos: Paramount Pictures

A moderna adaptação a bater. É uma fala real de Austen pronunciada nesse clássico de Amy Heckerling? É como se fosse. Mas a Cher de Alicia Silverstone é a personificação voluntariosa e ingênua de Emma.

Classificação: 4

 

EMMA (1997)

Mandatory Credit: Photo by ITV / Rex USA ( 525489SM ) Samantha Morton and Kate Beckinsale in 'Emma' - 1996 ITV ARCHIVE

Credit: Photo by ITV /Samantha Morton e Kate Beckinsale em ‘Emma’ 1996 – ITV

Oh, olhe Andrew Davies assumindo a pena de novo, dessa vez com Kate Beckinsale como heroína. Veja essa adaptação como planejada para Beckinsale assim como a Lady Susan de Austen na adaptação de Amor e Amizade de Whit Stillman. Um pouco negativo para a nossa Emma, contudo.Classificação: 4

 

OUTROS ROMANCES EM FILMES

 

PERSUASÃO (1995)

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Anne Elliot é a mais autobiográfica das heroínas de Austen? Talvez. É particularmente contundente que ela escreveu esse romance quando estava morrendo. Definitivamente. Qualquer que sejam as circunstâncias, essa adaptação profundamente romântica com Amanda Root como Anne e Ciaran Hinds (atualmente na Broadway em “The Crucible”) como Capitão Wentworth, seu amor perdido e reencontrado, se mantém. Consumir devagar e saborear a doce angústia.

Classificação: 5

 

RAZÃO E SENSIBILIDADE (1995)

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A adaptação de Ang Lee entra para o topo das adaptações de Austen em meados dos anos 90. “Pode a alma realmente ficar satisfeita com tais afeições moderadas”? Sim, pode, quando Emma Thompson provém a razão e Kate Winslet (pré Titanic) a sensibilidade. Mesmo Hugh Grant substituindo o Hugh Grant gaguejador pelas palavras brincalhonas de Austen trabalha a favor do filme.

Classificação: 4

 

MANSFIELD PARK (1999)

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Não é o romance favorito de Austen de ninguém. Mas o filme faz com que a maior parte de “sua rápida sucessão de nadas” seja movimentada. Um assustador Harold Pinter interpreta Sir Thomas Bertram, cujas riquezas são possíveis por meio do comércio de escravos. Frances O’Connor é Fanny Price e Jonny Lee Miller seu almejado amor Edmund. (O currículo de Miller é cheio de papeis nas adaptações de Austen: ele era uma criança na minissérie “Mansfield Park”  de 1983 e o herói Senhor Knightley na minissérie “Emma” da BBC de 2009).Essa é a única adaptação de Austen com uma cena de sexo. Além disso, você pode ver Lord Grantham (Hugh Boneville) de “Downton Abbey”, quando ele interpretou um tolo traído.

Classificação: 4

 

A ABADIA DE NORTHANGER (2007)

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Paródia e romance podem perfeitamente serem bons companheiros. A Abadia de Northanger é o romance atípico de Austen, sua heroína é uma fervorosa consumidora de romances góticos. Mas Andrew Davies está de volta para dirigir esse filme, por isso não se sinta deslocado. Felicity Jones é Catherine Morland, com J.J. Field é o herói Henry Tilney aqui. (Ele interpretou o sósia de Darcy em Austenlândia). “Agora eu devo dar um sorriso”, o Senhor Tilney diz a Catherine na primeira dança, logo depois de conhecerem, “e então nós podemos ser racionais novamente”.

Classificação: 3

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Fonte: The New York Times
Texto de , 2 de maio de 2016.

 

Dandara Machado

Sou de Santa Maria-RS. Amo literatura inglesa e pretendo cursar Letras Bacharelado e tradução inglês-português; mas estou fazendo ciências sociais. Minhas escritoras preferidas são Jane Austen, Anne Brontë, Charlotte Brontë, Georgette Heyer, Elizabeth Gaskell, Frances Burney, Virginia woolf e Katherine Mansfield (KM é a melhor de todas, na minha opinião, e meu conto preferido é "A casa de Bonecas”). Meus livros amados são Jane Eyre e Razão e Sentimento. Contato: dandaramachado210@gmail.com

  • Raquel

    Que mais filmes e séries sobre Jane Austen continuem a serem feitas 😉
    Excelente texto, concordo muito com as suas classificações

  • Enza Said

    Amei o texto! Concordo com quase tudo, principalmente sobre a adaptação de 1995 ser a melhor e a de 2005 ser péssima. Talvez a autora da matéria tenha sido um pouquinho injusta com adaptações que se inspiram em O&P e, apesar de ter faltado outras adaptações como a versão de 2009 de Emma e a de 2008 de Razão e Sensibilidade que foram tão bem feitas quanto as elencadas no texto, este é um guia muito bom ^^

  • Jeanne Cardoso

    Gostei muito do texto. Acho que ví quase todas essas adaptações, tirando Emma. Persuasão é meu livro favorito de Jane Austen e a adaptação de 1995 é pra mim a que mais se aproxima dos sentimentos expressos no livro.
    O diretor do filme Orgulho e Preconceito de 2005 disse nos extras que já haviam sido feitas adaptações fiéis do livro, então o filme meio que revela a visão dele sobre o romance. por isso, apesar de não fiel à trama em sí, acho que consegue transmitir a sensibilidade que o livro traz.
    Também gostei muito da adaptação de A Abadia de Northanger, que pra mim é o livro onde Jane mais se expressa livremente.
    A adaptação de Mansfield Park é muito legal se considerada mais como inspirado no livro do que uma adaptação. No livro, as verdadeiras estrelas são os vilões, penso eu, de tão descolados que são, sobretudo Mary, que ao mesmo tempo ama Edmond pelo homem que ele é, mas sem poder concordar com todas as idéias dele sobre a vida e a sociedade.
    Enfim, é melhor parar ou eu ficaria escrevendo sobre os romances de Jane o resto do dia…

    historialivrosfilmes.blogspot.com

  • Dandara Machado

    Obrigada por curtirem o texto, pessoal!

  • Hahaha! Achei o texto bem divertido – mas concordei com pouquíssimas classificações (não que eu tenha visto todas as adaptações)! Sim, a série de 1995 é perfeita. Mas eu amo o filme de 2005! E sou apaixonada por “Morte em Pemberley”! Acho que a autora não pegou o tom delicioso de brincadeira e de homenagem de “P&P&Z” (e de “Austenland” também!) e ei, “Mansfield Park” é um dos meus romances favoritos sim! Não simpatizo com “Clueless” e, definitivamente, tem algo de errado com a adaptação de “Sense and Sensibility” de 1995 (é legalzinha, mas não chega nem aos pés da de 2008, essa sim um arraso!). E a pergunta que não quer calar: onde está “The Lizzie Bennet diaries”?!?

    Beijos, Dandara!

    • Enza Said

      Pensei que fosse a única que acha a versão de 2008 infinitamente superior à de 95 de Sense and Sensibility!!! <3