O Professor, de Charlotte Brontë

Sem dúvida, o mais humilde e modesto primo de Jane Eyre, porém eu adorei do mesmo jeito. 

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O nome de Charlote Brontë é, naturalmente, sinônimo de Jane Eyre. Tanto que um amigo meu não havia descoberto até recentemente qual era a autora e qual era a criação da autora. Porém, não é novidade que a celebrada romancista escreveu mais que somente o conto tempestuoso do Sr. Rochester e Jane. O primeiro livro que Brontë escreveu – um livro devolvido essencialmente por toda editora na Grã-Bretanha e que permaneceu sem ser publicado até depois de sua morte – foi o Professor.

Lendo, você pode claramente ver por que o volume fino falhou em ganhar fãs, onde Jane Eyre mais tarde obteria sucesso; foca possivelmente muito em pessoas mundanas e comuns e em eventos comuns – não há segredos escondidos em sótãos aqui. Como um romance, o Professor é sem dúvida o mais humilde e modesto primo de Jane Eyre, mas eu adorei do mesmo jeito. Talvez, por que eu também sou definitivamente mundana e comum e – em algum senso narcisista- aprecie o fato de que pessoas como eu poderiam ter os eventos de suas vidas documentados e analisados. Talvez, por que o imperioso William Crimsworth e o reticente Frances sirvam de antídoto para os protagonistas de olhos âmbar e perfis aquilinos e cínicos. Do mesmo jeito, eu adorei a forma como Brontë conseguiu, com toques leves, transformar o banal em belo, acrescentando significância e peso a um simples momento.

Cativantemente ousado por ter um final feliz, esse livro também é surpreendentemente relevante para os dias atuais. O cenário europeu e o debate entre o muito nacionalista, Frances, com seu inefável orgulho de britânico, e o Sr. Hunsden, que vê a si mesmo mais como um cidadão do mundo, voando livremente de país para país, parece se relacionar muito fortemente às discussões atuais em torno dos resultados do referendo da União europeia. Eu quase lamento mencionar isso, por que eu mesma estou cansada de ouvir as notícias da mídia sobre as últimas manobras políticas, mas ofereceu uma maneira interessante de examinar o que a Europa significa para mim e minha identidade, longe da retórica e de Westiminster.

A narrativa descreve as experiências do marginalizado William Crimsworth, criado por parentes aristocráticos, mas, em seguida, deserdado após se recusar 67ir para a igreja. Desprezado e ferido por seu irmão distante, William se encontra em Bruxelas, trabalhando como professor de inglês em uma escola para meninos e, mais tarde, ensinando algumas lições na escola vizinha, para meninas. Aqui ele vai encontrar amigos e (surpresa) inimigos, encontrando suficientes provas e problemas, para manter a história envolvente, e felicidade suficiente para garantir que a leitura foi agradável.

Contar mais seria estragar a estória, mas basta dizer que eu achei esse livro encantador. Eu amei a natureza tranquila e caprichosa de Frances, e ainda consegui simpatizar com William, apesar de algumas referências perturbadoras sobre a inferioridade dos flamengos e católicos que podem, eu espero, ter sido propositalmente usadas para revelar preconceitos em seu caráter. As breves aparições do supramencionado Hunsden também foram destaque, adorável em toda a sua natureza rude e obstinada. No geral, eu recomendo a quem gosta da prosa investigativa e perceptiva de Brontë ou a alegria de recuar para um tempo e lugar diferente.

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Matéria traduzida do The Guardian

Dandara Machado

Sou de Santa Maria-RS. Amo literatura inglesa e pretendo cursar Letras Bacharelado e tradução inglês-português; mas estou fazendo ciências sociais. Minhas escritoras preferidas são Jane Austen, Anne Brontë, Charlotte Brontë, Georgette Heyer, Elizabeth Gaskell, Frances Burney, Virginia woolf e Katherine Mansfield (KM é a melhor de todas, na minha opinião, e meu conto preferido é "A casa de Bonecas”). Meus livros amados são Jane Eyre e Razão e Sentimento. Contato: dandaramachado210@gmail.com