Morte no Nilo, de Agatha Christie

13833001_1057986280953049_1406980898_o

Em uma votação recente, Morte no Nilo, figurou como o quarto livro favorito de Agatha Christie entre os fãs da autora britânica ao redor do mundo, perdendo apenas para E não sobrou nenhum (em primeiro), Assassinato no Expresso do Oriente (em segundo) e O assassinato de Roger Ackroyd (em terceiro).

O romance de Christie rodeia os mistérios desencadeados a partir da morte da jovem Linnet Ridgeway cuja beleza encantava todos que cruzassem seu caminho e cuja riqueza era objeto de cobiça por pessoas mais próximas do que ela podia imaginar.

Linnet era uma jovem herdeira ativa e bem ciente de seus negócios, com sua beleza e simpatia (e, por que não, dinheiro?) ela conseguia tudo o que queria. Porém Linnet acaba ultrapassando os limites e chega a “roubar” o noivo da melhor amiga, Jackie, não tão rica nem tão bonita quanto ela, despertando a ira da moça que começa a ameaçá-la e, depois, simplesmente a segui-la, importuná-la apenas com a sua presença em qualquer ambiente que sua ex-amiga recém-casada e seu marido se encontrassem.

Um desses lugares é o Egito, onde Jackie embarca em um cruzeiro pelo Nilo junto com o casal em lua de mel. É aí que Poirot, o mais querido detetive de Christie, entra. Ele está de férias no Egito quando toma conhecimento da situação perturbadora pela qual a milionária está passando e alerta Jackie a seguir em frente com sua vida. Mas, como nem de férias Hercule Poirot poderia ter um descanso, Linnet é encontrada morta após uma noite em que Jackie absolutamente não poderia lhe ter feito qualquer mal. Resta a Poirot, então, solucionar mais esse mistério e, na medida em que avança em suas investigações, descobre que Jackie não era a única pessoa a odiar Linnet no navio.

 O início da história é lento, contudo, tranquilo. Agatha Christie constrói nos mínimos detalhes cenários que, a princípio, parecem não ter sentido estarem ali, mas que no final farão toda a diferença e elucidarão muitos pontos do mistério. É incrível como ela pensa tão cuidadosamente em cada diálogo, até mesmo nos mais pequenos objetos presentes em cada cena e como ela explora os pormenores da natureza humana de modo tão instigante.

Não foi o primeiro livro de Agatha Christie que li e nem será o último, mas por mais que eu tente, duvido muito que venha a descobrir o final de algum de seus livros. É claro que não é nada impossível e, por isso, gosto mais ainda de Christie, porque se prestarmos bastante atenção, os pontos se ligam como numa teia. Não é nada impossível de se acontecer na vida real.

Além disso os personagens dividem a característica de serem bem multidimensionais e Agatha consegue dar a cada um deles um motivo plausível e bastante crível para cometer o assassinato. Ela também repete a fórmula de não gastar muitas páginas esmiuçando a vida pessoal do assassino, explanando somente o necessário sobre os suspeitos, conferindo maior dinamicidade ao enredo se comparado a outros romances policiais.

Já o desfecho não deixa de ser estarrecedor, mesmo com Poirot de férias e num lugar tão exótico e charmoso quanto o Nilo, e Agatha Christie prova o porquê de ser a eterna Rainha do Crime. Uma obra brilhante e digna do posto que ocupa entre os favoritos dos fãs.

Onde comprar

Amazon | Cultura | Saraiva | Submarino

Enza G. Said

Capixaba, acadêmica de Direito, amo a cultura inglesa, mas sonho em morar no sul da França. Sou apaixonada por música clássica, chá, cheiro de chuva e filmes antigos; passo horas relendo trechos dos meus livros favoritos e toco piano nas horas vagas. Contato: enzasaid@gmail.com