Margaret Hale (Norte e Sul)

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Capa principal: “Margaret Hale”

MARGARET HALE nasceu em Helstone, um diminuto paraíso terrestre localizado no Sul da Inglaterra. Ainda muito pequena fora enviada pelos pais para viver com uma tia, em Londres. Mas, enquanto aprendia a ser uma dama refinada, ela se via distraída sonhando com os campos floridos de Helstone, com o ar puro e o céu azul, coisas quase impossíveis de visualizar na capital inglesa. Quando finalmente sua prima se casa, e Margaret é liberada para voltar à casa dos pais, em pouco tempo é forçada a deixar o campo, lugar que tanto amava e pelo qual tanto sonhara, e se mudar para a sombria e poluída cidade industrial de Milton, no Norte. Acostumada à doçura e idílio do sul, Margaret testemunha o mundo duro e brutal, forjado pela revolução industrial. Chocada com tantas diferenças, aos poucos a jovem começa a descobrir Milton, seus habitantes, o funcionamento das fábricas e as relações entre patrões e operários. Solidária com os pobres, cuja coragem e tenacidade ela admira e entre os quais faz alguns amigos, nossa heroína se choca com o belo John Thornton, um industrial do ramo de algodão, cuja rigidez e atitude insolente para com os trabalhadores ela tanto despreza. O confronto entre Margaret e Mr. Thornton é considerado uma reminiscência das desavenças entre Elizabeth Bennet e Mr. Darcy, personagens de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.

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Contracapa: “Norte e Sul”

Título “Norte e Sul” foi imposto por Charles Dickens

“Norte e Sul” foi apresentado ao público inglês em 20 episódios semanais na revista Household Words, editada por Dickens, de 1854 a 1855. O livro, genuinamente, não tinha este título. Elizabeth Gaskell teria preferido chama-lo de “Margaret Hale”, nome da heroína, como ela havia feito, em 1848, com “Mary Barton”, mas a vontade de Dickens prevaleceu. Numa carta datada de 26 de julho de 1854, ele disse a ela que o título “Norte Sul” parecia melhor.

Quando Gaskell escrevia sua obra-prima

Quando trabalhava nos capítulos finais de Margaret Hale (Norte e Sul), na casa da família perto de Matlock, em Derbyshire, Inglaterra, ela escreveu que, como não podia dar a obra o título idealizado, o nome da sua heroína, preferia chamar seu romance ‘Death and Variations’ e não de “Norte e Sul” como queria Charles Dickens, seu editor, pois na trama havia cinco mortes, cada uma delas maravilhosamente coerente com a personalidade do indivíduo e com a história”. Esta observação, provavelmente uma piada, enfatiza o papel importante da morte no desenrolar da obra. A morte afeta Margaret profundamente e, gradualmente, a encoraja à independência, permitindo Gaskell analisar as profundas emoções de sua personagem e concentrar-se na dureza do sistema social através das demais mortes. Loreau and Mrs. H. de Lespine, com a autorização da autora, traduziu a obra para o francês, e a publicou em Paris pela Hachette, em 1859, sob o título de Marguerite Hale (Nord et Sud). Portanto, a Pedrazul não será a pioneira na manutenção do título original. Porém, será a pioneira ao lançar uma obra com duas capas, cada uma delas revelando o teor de seu tema!

A Heroína de Elizabeth Gaskell

Ela não faz o tipo tão comum da frágil e submissa mulher vitoriana à espera do casamento. Margaret Hale é uma sensata e equilibrada jovem que preenche os requisitos da doce feminilidade exigida nessa mulher, mas vai além. Quando morava com a tia em Londres, ela desempenhou o papel de uma frágil dama. Contudo, seu desempenho foi melhor como tomadora de decisão, uma mulher forte e responsável, quando estava de volta a Helstone, no Sul. A força e a coragem da personagem são mostradas também na disputa entre os trabalhadores e seu mestre, em Milton, já no Norte. Além disso, Margaret mostra uma grande dose de coragem quando coloca sua reputação respeitável em perigo duas vezes a fim de proteger um ideal maior: pela primeira vez jogando-se na frente de Mr. Thornton, na cena do motim, para protege-lo, e a segunda quando mentiu e deixou que Mr.Thornton acreditasse que ela estava vadiando na estação com um homem. Se alguma coisa de sua personalidade equilibrada faz dela uma personagem mais forte, faz dela também muito mais simpática.

A capacidade de Elizabeth Gaskell

A capacidade de Gaskell de combinar um estilo de escrita aparentemente superficialmente, porém atraente, com assuntos sérios, é algo que trabalha mais a seu favor do que contra. É particularmente evidente em “Margaret Hale” (Norte e Sul) essa combinação de sucesso. A concentração de questões industriais e sociais com romance vitoriano, de fato, foi uma verdadeira genialidade. Ela conseguiu trazer à tona as questões da expansão industrial, entrelaçando-as com as questões de classe e de gênero.

Lampejos de “Shirley”, de Brontë, em ‘Norte e Sul’, de Gaskell

Quando Charlotte Brontë morreu, em 1855, seu pai, Patrick Brontë, pediu a Elizabeth Gaskell que escrevesse sua biografia: “A vida de Charlotte Brontë”, 1857. Portanto, Gaskell não só leu, mas estudou as obras de Brontë, inclusive o manuscrito de “Shirley”, lançado em 1849. “Norte e Sul” foi lançado em 1855 e traz enormes semelhanças com Shirley. Os dois são romances industriais e históricos. Os mocinhos das tramas: Mr. Moore e Mr. Thornton têm grandes semelhanças entre si. Ambos são donos de moinhos, são rechaçados pelos trabalhadores, sofrem atentados e são defendidos pelas heroínas das tramas. Em “Shirley” há uma personagem chamada Caroline Helstone. Em “Norte e Sul” o nome Helstone é a idílica terra de Margaret Hale. Helstone não é um nome comum!

Existem algumas semelhanças que envolvem Charlotte Brontë e isso pode ou não ser coincidência. A cidade onde Brontë nasceu foi batizada de Thornton o mesmo nome de Mr. Thornton.

Em “Norte e Sul” Mr. Thornton estudava os clássicos com Mr. Hale, o pai da nossa heroína Margaret Hale; em “Shirley”, Caroline Helstone estudava os clássicos com Hortense Moore, irmã de Mr. Moore. Na obra de Gaskell, o pai da heroína é um pároco e Margaret Hale é ferida na cabeça ao defender Mr. Thornton. Em “Shirley”, o tio da heroína é um pároco e quem é ferido é Mr. Moore. Em “Norte e Sul”, Mr. Thornton, após tratar mal o líder da greve, Nicholas Higgins, se arrepende e o procura para dar-lhe emprego. Em “Shirley”, Mr. Moore, após tratar mal William Farren, seu ex-funcionário, procura Mr. Yorke, seu amigo e dono de moinho, e intercede a favor de Farren para que Mr. Yorke o empregue.

Elizabeth Gaskell e Charlotte Brontë eram boas amigas. Se olharmos atentamente para “Norte e Sul” veremos uma homenagem da autora a Charlotte Brontë.

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Texto: https://www.facebook.com/pages/Pedrazul-Editora/
Imagens: Pedrazul Editora

Pré-venda dia 28 de fevereiro de 2015 no site: http://www.pedrazuleditora.com.br/

 

┼Ψ╬† sσnia ┼Ψ╬┼

Gosto de tudo da Inglaterra: literatura, filmes, séries, sitcons, sotaque, educação, polidez, costumes, parques, praças, arquitetura… Tudo! Fui Influenciada pela literatura inglesa que eu li avidamente. Morar lá é o meu objetivo de vida.