Little Dorrit

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Baseado no livro homônimo escrito por Charles Dickens, a minissérie inglesa “Little Dorrit”, que foi dirigida por Adam Smith, Dearbhla Walsh e Diarmuid Lawrence faz um retrato de diversos tipos da sociedade inglesa, ao mesmo tempo em que destaca elementos como: retidão de caráter, a manutenção da fidelidade às suas raízes e origens, a tentativa de fazer aquilo que é correto e, principalmente, de enfrentar as conseqüências de seus atos, ao invés de fugir covardemente deles.

A história nos é contada através de 14 capítulos, os quais têm como personagens principais dois seres que, apesar das origens distintas, possuem valores em comum. Arthur Clennam (Matthew MacFadyen, que nasceu para interpretar esses herois românticos honrados e admiráveis) é herdeiro da Casa de Clennam, porém, desde cedo, aprendeu o valor do trabalho duro. Por custas dele, não conseguiu desenvolver um relacionamento pleno com a mãe (Judy Parfitt, perfeita) e, com o objetivo de tentar compreender a dor do pai ao falecer, volta para casa para tentar consertar algo que ele nem faz ideia do que seja.

Já Amy Dorrit (Claire Foy) nasceu na pobreza e, por causa das dívidas do pai (Tom Courteney, também perfeito), foi obrigada a viver confinada na prisão de Marshalsea (na qual viviam os devedores que não tinham condições de pagar os seus credores). Contrariando os desejos do pai, Amy começou a trabalhar para poder proporcionar um pouco mais de conforto para a vida da família em Marshalsea. E são justamente os Dorrit que vão ser o objeto de conserto de Arthur Clennam, o qual vai fazer de tudo para tirar a família de Amy daquela situação – e ele não vai medir esforços para isso.

Ao explorar o cotidiano de Arthur Clennam, Amy Dorrit e das pessoas que fazem parte da rotina deles (acreditem, são tantos personagens que aparecem em tela que, chega um momento, temos a impressão de que a trama de “Little Dorrit” nunca chega a progredir), Charles Dickens faz uma enorme discussão sobre a riqueza e a pobreza e sobre as características daqueles que vivem nestes dois lados da sociedade. Especialmente a respeito da linha tênue que separa tudo isso. Alguns dos caminhos explorados pelo livro e, consequentemente, minissérie: ganância, irresponsabilidade, inconseqüência, poder, deslumbramento, o medo do passado vir à tona, a vontade de buscar a felicidade, a manutenção de aparências, o jogo de interesses, entre outros.

Uma produção caprichada da BBC inglesa indicada a 11 Primetime Emmy Awards 2009 (dos quais venceu 7 estatuetas), “Little Dorrit” é uma minissérie que chama a atenção pela riqueza (sem trocadilhos, por favor) de personagens e pela presença de uma trama que exerce mesmo uma influência positiva em todos nós (tendo em vista que somos defrontados com personagens admiráveis, como John Chivery, Amy Dorrit e Arthur Clennam). A única ressalva que fazemos em relação ao programa vai diretamente ao roteiro de Andrew Davies – ele se preocupa tanto com o desenvolvimento dos personagens que a minissérie fica totalmente morna no seu meio e só consegue recuperar o seu ritmo nos três episódios finais, que são simplesmente sensacionais.

Cotação: 7,5

Little Dorrit (Little Dorrit, 2008)
Diretores: Adam Smith, Dearbhla Walsh e Diarmuid Lawrence
Roteiro: Andrew Davies (com base no livro de Charles Dickens)
Elenco: Claire Foy, Matthew MacFadyen, Tom Courteney, Alun Armstrong, Judy Parfitt, Eddie Marsan, Emma Pierson, Andy Serkis

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http://cinefilapornatureza.com.br

┼Ψ╬† sσnia ┼Ψ╬┼

Gosto de tudo da Inglaterra: literatura, filmes, séries, sitcons, sotaque, educação, polidez, costumes, parques, praças, arquitetura… Tudo! Fui Influenciada pela literatura inglesa que eu li avidamente. Morar lá é o meu objetivo de vida.

  • Maribook

    Simplesmente perfeita! Após assistir online não me contentei até adquirir o box de Dickens. <3