Katherine Mansfield

Katherine Mansfield, Kathleen Mansfield Beauchamp nasceu em 1888, em Thorndon, Wellington. Katherine viveu com seus pais, suas três irmãs, Vera, Charlotte (Chaddie) e Jeanne, sua avó e suas duas tias adolescentes até 1893, quando a família deixou “… aquele pequeno cubículo escuro …”, como ela se lembrou de onde nasceu, para viver em Karori, hoje subúrbio de Wellington. Isto é, quando seu único e amado irmão, Leslie, nasceu e onde os anos mais felizes de sua infância foram passados. A mudança e os eventos subsequentes são descritos na história Prelúdio (Prelude). Esta nova casa e a escola primária local são as definições do conto  A Casa de Bonecas (The Doll’s House).

“A família Beauchamp vivia na Austrália e na Nova Zelândia há três gerações, a maior parte de sua  infância passou-se numa pequena vila chamada Karori, há algumas milhas de Wellington, onde a única escola existente era a oficial; ai Katherine partilhava com o filho do leiteiro e as filhas da lavadeira a pouco instrução ministrada. O seu primeiro conto foi aceito quando tinha nove anos, foi publicado numa revista chamada The Lone Hand.”

Prefácio do “Diário” de Katherine Mansfield por John Middleton Murry, Livraria Tavares Martins, Pôrto, Portugal, 1944.

Chesney Wold, Karori, Wellington

Casa de K.M. em  Karori © Alexander Turnbull Library

A família voltou para a cidade em 1898. Eles moravam em uma casa grandiosa na ’75 Tinakori Road’, que viria a ser o cenário da história A Festa ao Ar Livre (The Garden Party).

75 Tinakori Road © Alexander Turnbull Library

Aos treze anos Katherine foi mandada para a Inglaterra para estudar no Queen’s College, onde ficou até os dezoito anos e foi a editora da revista da escola. Como tantos da sua geração encontrou o princípio da sua liberdade intelectual em Oscar Wilde e pelos decadentes ingleses, mas, nessa época, os seus principais interesses passaram da literatura para a música. Dedicou-se ao violoncelo, tendo chegado a ser uma excelente interprete.

Prefácio do “Diário” de Katherine Mansfield por John Middleton Murry, Livraria Tavares Martins, Pôrto, Portugal, 1944.

No Queen’s College Katherine conheceu uma amiga para toda a vida: Ida Baker.

Katherine Mansfield tocando cello, Queen’s College, Harley Street, London, entre1903-1905

Katherine Mansfield tocando cello, Queen’s College, Harley Street, London

Depois de terminar seus estudos na Inglaterra, as três garotas Beauchamp retornaram a Wellington em 1906, para a casa da ’75, Tinakori Road’. A família agora também possuía uma casa de férias na praia, onde Katherine passou uma boa parte do seu tempo escrevendo, o que mais tarde se tornou parte do cenário para a história Na Praia (At the Bay).

Contra a sua vontade voltou para a Nova Zelândia, tendo passado os dois anos seguintes em constante revolta contra o que ela então considerava “a mesquinhez e o provincialismo de uma longínqua cidade colonial”. Inevitavelmente, Londres aparecia-lhe como o centro vivo de toda a vida artística e intelectual.

Uma família de músicos de Wellington, que Katherine conhecia intimamente e que fora para ela uma espécie de oásis intelectual, partiu da Nova Zelândia para Londres. Com essa partida mais desconsolada ficou.

Prefácio do “Diário” de Katherine Mansfield por John Middleton Murry, Livraria Tavares Martins, Pôrto, Portugal, 1944.

Katherine  desejava voltar à Europa para ser uma escritora. Depois que ela havia feito publicações na revista Melbourne magazine the Native Companion, seu pai consentiu. Antes de ela sair, no entanto, foi para um acampamento no norte da Nova Zelândia, uma experiência em que ela se inspirou para as histórias Millie  e A Mulher do Armazém (Woman at the Store) e voltou para Londres. Seu pai enviou-lhe um subsídio anual de cem libras (que ele aumentou várias vezes ao longo dos anos, quando ela precisava de cuidados médicos). Ela jamais voltou à Nova Zelândia.

 Londres

london

Em Londres, Katherine submeteu em vão os seus manuscritos a vários editores, e, para conseguir viver, passou por experiências variadas e difíceis, representando papeis secundários em companhias de óperas em tounée etc.

Prefácio do “Diário” de Katherine Mansfield por John Middleton Murry, Livraria Tavares Martins, Pôrto, Portugal, 1944.

 

Katherine  embarcou em vários relacionamentos e publicou muito pouco – apenas um poema e uma história. Grávida de Garnet Trowell, o filho de seu professor de música na infância, na Nova Zelândia, ela se casou com George Bowden, um professor de canto consideravelmente mais velho que ela, mas o deixou na mesma noite sem ter consumado o casamento.

Única testemunha de seu casamento, Ida Baker conta que apenas no dia 2 de março Katherine lhe comunicou que casaria dai há alguns dias. Além do vestido preto, ela usou um chapéu de palha também preto, dizendo que isso lhe dava coragem. O local do casamento era horrível, sujo, a janela era manchada de tinta e o notário, resmungão. Ao se despedir de Ida Baker, Katherine teria marcado um encontro para um concerto no dia seguinte, quando lhe teria comunicado a separação definitiva do marido.

Sabe-se que ao casar-se com George Bowden Katherine esperava um filho de Garnet Trowell, e supõe-se que o casamento foi feito contra a sua vontade, por várias razões imaginadas pelas amigas.

Notas de Numa pensão Alemã, Ed. Revan, pag. 133

Katherine Mansfield, em 1904

Katherine Mansfield, em 1904

Sua mãe respondeu às notícias deste casamento, indo para Londres e enviando Katherine para “tratamento” em  Bad Wörishofen na Baviera, antes de retornar a Wellington para o casamento de sua filha mais velha. Katherine abortou e não era para ter outros filhos.

O Tempo  dela na Baviera teve um efeito significativo sobre a sua perspectiva literária. Ela foi apresentada à obra de Anton Tchekhov, um escritor que mostrou ter maior influência sobre sua escrita à curto prazo do que  Wilde, a quem ela havia se fixado.

Voltou para Londres em janeiro de 1910, e teve mais de uma dúzia de obras publicadas em AR Orage ‘s The New Age, uma revista socialista e  considerada como publicação intelectual.  Suas experiências da Alemanha formaram a base de sua primeira coleção publicada, Numa Pensão Alemã (In a German Pension), em 1911, um trabalho que foi elogiado pelos críticos (e apreciado por seu retrato desfavorável dos alemães), mas que mais tarde ela descreveu como “imaturo”.  A história de maior sucesso deste trabalho foi Frau Brechenmacher Vai a um Casamento (Frau Brechenmacher Attends a Wedding).

Em Frau Brechenmacher vai a um casamento, Katherine faz uma descrição da noiva como um bolo confeitado (“an iced cake”) pronto para ser servido ao noivo…”

O final do conto traz sujestões de como Katherine sofreu com o tratamento masculino no ato sexual quando ainda muito jovem, na Inglaterra.

Em Um Nascimento (A Birthday), os vários críticos que analisaram esse conto concordam que ele narra uma história neozelandeza, apesar dos nomes alemães da família. O evento passa-se sem dúvida na rua Tinakori em Wellington, onde ficava a casa dos pais de Katherine. Antony Alpers afirma que o parto descrito na história é o da própria autora, também a terceira criança da família: a avó bondosa prepara-se para o serviço de parteira, como a avó de Katherine. Na história nasce um garoto, mas na casa dos Beauchamps, a garotinha que nasceu foi batizada de Kathleen Mansfield Beauchamp, Mansfield sendo o nome de solteira da avó materna, que veio a ser a única pessoa a oferecer amor a Katherine durante sua infância, e que, na história, transforma-se em Frau Binzer, a avó paterna. A mãe Anna, era na verdade, a mãe de Katherine, Anne Beauchamp, que mais tarde deserdaria a filha depois de tê-la levado para o balneário alemão, após suas aventuras em Londres.

 Notas de Numa Pensão Alemã, Ed. Revan, pag. 133 e 135.

John Middleton Murry

Katherine e John em 1920 © kathrinemansfield.net

Katherine e John em 1920 © kathrinemansfield.net

Em dezembro de 1911, eu a vi pela primeira vez na casa do falecido romancista W.L George. Eu era estudante em Oxford e com Michael Sadleir, editava uma revista literária de novos intitulada: Rhythm. Katherine Mansfield começou a escrever contos para essa revista com regularidade. O seu primeiro conto The Woman at the Store fez sensação. Rhythm que nos três últimos números se chamava Blue Review, durou aproximadamente um ano, durante a maior parte desse tempo Katherine e eu a editamos juntos.

Quando The Blue Reviw faliu, em julho de 1913, Katherine não tinha onde escrever. O belo conto Something Childish But Very Natural, que escreveu em Paris, em dezembro de 1913, foi rejeitado por todos os editores a quem ela mandou. Até o inverno de 1915 não foi possível encontrar editor para os seus contos; então ela, D. H. Lawrence e eu publicamos três números de uma pequena revista chamada The Signature, inteiramente escrita por nós.

The Signature viveu apenas dois meses, tendo ficado novamente sem ter onde escrever até eu editar O Atheneum, em 1919. Entre 1915 e 1919, apenas três dos seus contos apareceram em revistas inglesas, todos em 1918: Bliss em The English Review; Pictures e The Without a Temperament em Art and Letters. Além disso, tinha sido publicado em 1917, pela Hogarth Press, uma pequena brochura intitulada Prelude, e, em 1918, meu irmão e eu publicamos, numa edição fora do mercado Je ne parle pas français.

Em 1914 Katherine teve um breve romance com o escritor francês Francis Carco, ela ia visitá-lo em Paris, e em fevereiro de 1915, essa aventura foi recontada no conto Uma Jornada Indiscreta (An Indiscreet Journey).

A Vida e o trabalho de Katherine foram mudados para sempre em 1915, com a morte de seu irmão, Leslie Heron “Chummie” Beauchamp, como um soldado da Nova Zelândia na França, na Primeira Guerra Mundial. Ela ficou chocada e traumatizada com a experiência, tanto que sua obra começou a refugiar-se nas reminiscências nostálgicas de sua infância na Nova Zelândia.

As crianças Beauchamp, em 1898 © Alexander Turnbull Library

As crianças Beauchamp, em 1898 ( Katherine está sentada na cadeira, usando um avental e chapéu © Alexander Turnbull Library

Quando apareceu em brochura, Prelúdio passou completamente despercebida, a maioria dos jornais a que foi enviada, nem sequer lhe fizeram a critica. Os dois que a criticaram não viram nesse livro nada especial. Katherine Mansfield, porém, teve o seu momento de triunfo quando o tipógrafo que compôs o livro exclamou ao ler o manuscrito: “Santo Deus, como estas crianças são verdadeiras!” Foi sempre uma característica sua preferir o louvor da gente simples do que das pessoas cultas e dos críticos.

Prefácio do Diário de Katherine Mansfield por John Middleton Murry, Livraria Tavares Martins, Pôrto, Portugal, 1944

Apesar dessa turbulência na vida de Katherine Mansfield, ela entrou em seu período mais produtivo no começo de 1916, e seu relacionamento com John Murry também melhorou.  O casal era amigo de  D.H. Lawrence e sua esposa Frieda Von Richthofen, e mantiveram uma forte relação com eles. Katherine Mansfield começou a ampliar seus conhecimentos literários para o restante do ano, encontrando Virginia Woolf, TS Eliot, Lytton Strachey e Bertrand Russell através de encontros sociais e apresentações de outros.

D.H. Lawrence, Katherine Mansfield, Frieda Lawrence, and John Middleton Murry © Alexander Turnbull Library

D.H. Lawrence, Katherine Mansfield, Frieda Lawrence, and John Middleton Murry

No início de 1917, Katherine e John estavam separados, embora ele continuasse a visitá-la em seu novo apartamento. Ida Baker estava sempre com ela. Com a mistura de afeto e desdém à sua “esposa”, ele voltou a morar com ela pouco tempo depois.  Katherine entrou em seu período mais prolífico que começou com várias histórias, incluindo Um Dia de Reginald Peacock (Mr Reginald Peacock’s Day) e  Um Pepino em Conserva (A Dill Pickle). Virginia Woolf e seu marido, Leonard, que tinham  criado a Hogarth Press, propuseram a ela uma história, e Katherine apresentou Prelúdio (Prelude), que ela tinha começado a escrever em 1915 como The Aloe. Prelúdio não conseguiu atingir um público mais amplo e foi pouco notado pela crítica, no entanto, com a sua publicação em 1918, se tornou uma das obras mais célebres de Katherine Mansfeld.

Katherine em 1916, em Mentol, França

Katherine em 1917, em Bandol, França

Em dezembro de 1917, Katherine Mansfield ficou doente e foi diagnosticada com tuberculose. Ela estava com 29 anos. Rejeitou a ideia de um sanatório para não interromper sua escrita. Tomou a única decisão possível, sair da Inglaterra durante o inverno Inglês.  Ela se mudou para Bandol, França, e ficou em um Hotel meio deserto e frio, onde se tornou depressiva. No entanto, ela continuou a produzir histórias, incluindo, Je Ne Parle Pas Français, uma de suas obras mais escuras (acredita-se ter sido inspirada por Notes from the Underground de Fyodor Dostoevsky), um trabalho profundamente pessoal e que lança sobre John Murry uma luz negativa. Sua saúde continuou a deteriorar-se e ela teve sua primeira hemorragia no pulmão em março de 1918. Em abril, o divórcio de Katherine e Bowden foi finalizado e ela e John Murry se casaram.

No inverno de 1918-1919, Katherine e Baker ficaram em uma vila em San Remo, Itália. A relação dela e John viveu sob tensão nesse período, mas depois de escrever para ele expressando seus sentimentos de depressão, ele ficou com ela para o Natal. O seu relacionamento com John tornou-se cada vez mais distante depois de 1918, e os dois viviam separados. Essa separação estimulou-a e ela escreveu O homem indiferente (The Man Without a Temperament), a história de uma esposa doente e seu marido sofredor. Miss Brill, a história agridoce de uma mulher frágil vivendo uma vida efêmera de observação e prazeres simples em Paris, estabeleceu Katherine como um dos escritores mais proeminentes do Modernismo no período de sua publicação em 1920. A história do título da coleção, Felicidade e outros contos (Bliss and other stories), que envolve um personagem semelhante enfrentando a infidelidade do marido, também foi aclamada pela crítica. Ela seguiu com a coleção igualmente louvada A Festa e outras histórias (The Garden Party and other stories), publicada em 1922.

O aparecimento de The Garden Party valeu-lhe finalmente a reputação de ser, na Inglaterra, a maior contista de sua geração.

Mas, agora, em 1922, escrever tornara-se para ela uma luta quase impossível… O Canário (The Canary) o último conto completo que escreveu,  foi acabado em julho de 1922.

Em outubro do mesmo ano abandonou resolutamente a literatura por algum tempo e retirou-se para Fontainebleau, onde morreu repentina e inesperadamente na noite de 9 de janeiro de 1923.

Prefácio do Diário de Katherine Mansfield por John Middleton Murry, Livraria Tavares Martins, Pôrto, Portugal, 1944

Fontainebleau

k.m. Katherine Mansfield passou seus últimos anos buscando curas cada vez mais heterodoxas para sua tuberculose. Em fevereiro de 1922, ela consultou o médico russo Ivan Manoukhin. Seu tratamento “revolucionário”, que consistia em bombardear seu baço com raios-X, causou em Katherine flashes de calor e dormência nas pernas. O Dictionary of National Biography relata que ela, naquele momento, passou a sentir que sua atitude perante a vida tinha sido indevidamente rebelde e ela procurou renovar e recompor a sua vida espiritual. Em outubro de 1922, Katherine mudou-se para Georges Gurdjieff’s Institute for the Harmonious Development of Man, em Fontainebleau, na França, onde estava sob os cuidados de Olgivanna Lazovitch Hinzenburg. Katherine sofreu uma hemorragia pulmonar fatal em janeiro de 1923, após subir um lance de escadas para mostrar a John Murry quão bem ela estava. Ela faleceu em 09 de janeiro e foi enterrada em um cemitério na cidade de Avon. Mais sobre a morte de Katherine no artigo Katherine Mansfield – Último dia.

Legado

Katherine Mansfield é amplamente considerada um dos melhores contistas de sua época. Um certo número de seus contos, incluindo Miss Brill, Prelúdio (Prelude), A Festa ao Ar Livre (The Garden Party),  A Casa de Bonecas (The Doll’s House) e A Mosca (The Fly), são frequentemente editados em antologias de contos.

Posso apenas dizer que a obra de Katherine Mansfield me parece ser de uma qualidade mais nobre e mais pura do que a dos seus contemporâneos. É mais espontânea, mais viva, mais delicada e mais bela. Katherine Mansfield respondia mais completamente à vida do que qualquer outro escritor que tenho conhecido e o resultado dessa resposta mais completo está na sua obra.

Muitos escritores tentaram continuar a sua obra, mas nenhum o conseguiu: o segredo morreu com ela.

É contudo digno de nota que os seus mais sinceros admiradores sejam precisamente os melhores contistas da Inglaterra: H. G. Wells, John Galsworthy, Walter de la Mare, H. M. Tomlinsson, Stacy Aümmonier, Barry Pain, Ethel Colburn Maynee. Com uma só voz esses especialistas a consideram “hors concours”.

Os contos de Katherine Mansfield são lidos e apreciados por inúmeras pessoas simples que encontram nos seus personagens uma realidade viva, muito rara na literatura.

Dir-se-ia que o vidro através do qual ela olhava a vida não era vidro, mas cristal.

Prefácio do Diário de Katherine Mansfield por John Middleton Murry, Livraria Tavares Martins, Pôrto, Portugal, 1944

Ida Baker

© kathrinemansfield.net

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Tal como acontece com John Murry, a vida de Ida Baker foi irremediavelmente alterada por sua relação com Katherine Mansfield. Ida teve um colapso nervoso grave após a morte de Katherine e disse depois que ela nunca tinha se recuperado completamente. Ela também acreditava, como Murry, que tinha uma ligação  além-túmulo com Katherine. Sempre houve especulações sobre a natureza da relação de Katherine e Ida. Mas os amigos atestam a inocência completa da sexualidade dessa relação, diários de Katherine e cartas revelam que, embora ela contasse com o apoio de Ida em várias coisas como fazer compras e tarefas domésticas, ela sentia repulsa física considerável por Ida. Os sentimentos de Ida  eram de uma ordem diferente. Amigos sugerem que ela tinha se fixado em Katherine muito cedo em suas vidas, enquanto elas ainda estavam na escola. Quando elas se conheceram em 1903, Ida era vulnerável, tinha acabado de perder sua mãe e Katherine foi o foco total de sua vida emocional. Essa posição nunca se alterou. Após a morte de Katherine, Ida cuidou de Murry, porque ela acreditava que isso era o que Katherine teria desejado. Murry no entanto, embora tivesse necessidade de ser cuidado, não queria viver com Ida. Assim, a relação acabou e Ida fez uma saída digna. Ela manteve muitos dos pertences de Katherine e todas as cartas que ela e Katherine haviam trocado após 1915.

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Virginia Woolf

© National Portrait Gallery, London

© National Portrait Gallery, London

Foi Lytton Strachey, que sugeriu que Virginia poderia encontrar Katherine Mansfield e tentar uma amizade provisória no outono de 1916. Em 1917 elas começaram a se reunir regularmente e falar sobre seu trabalho em conjunto. Katherine admirou a “paixão pela escrita” de Virginia; Virginia elogiou a dedicação feroz de Katherine pela sua arte. Ambas as mulheres foram muito competitivas. Virginia e Katherine viram-se como seu principal rival.

Quando Virginia e Leonard estabeleceram a Hogarth Press, Katherine foi a primeira pessoa a quem ela pediu uma história e Prelúdio (Prelude) foi publicado em 1918. No momento em que elas se conheceram, Katherine já estava muito doente com tuberculose e teve que passar a maior parte de seu tempo no exterior. Este foi um grande obstáculo para a relação em desenvolvimento, gerando mal-entendidos e sentimentos de pesar para ambos os lados. A importância dessa amizade não pode ser subestimada. Katherine disse a Virginia, “Você é a única mulher com quem eu falo longamente de trabalho. Nunca haverá outra.” Quando ela morreu, em 1923,Virginia escreveu que não havia “nenhum ponto a ser escrito… Katherine não vai lê-lo. Katherine não é mais minha rival”.

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D. H. Lawrence

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© kathrinemansfield.net

Lawrence conheceu Katherine Mansfield e John Middleton Murry, quando eles escreveram para ele em 1913, pedindo uma história para publicar na Rhythm, a revista que editavam em conjunto em Londres. Quando Lawrence foi para a Inglaterra com a noiva, os dois casais se encontraram e estabeleceram uma relação imediata. Katherine e John foram testemunhas do casamento e Frieda deu a Katherine seu anel de casamento antigo, que Katherine usou pelo resto de sua vida. Katherine e Frieda nunca se tornaram amigas reais – a afinidade de Katherine era com Lawrence. Havia tensão no relacionamento porque Lawrence estava profundamente atraído por John, querendo estabelecer um laço “irmãos de sangue” com ele. John também ficou atraído por Frieda, com quem teve um affair depois que Katherine morreu. Os dois casais moravam próximos uns dos outros, primeiro em Berkshire, Inglaterra, em 1914, e em Zennor, Cornwall, Inglaterra, em 1915. Havia inúmeras discussões e a amizade foi interrompida várias vezes.

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Contos:

Livros

 Pre 1910

 1910

 1911

 1912

  1913

 1914

 1915

 1917

 1918

 1919

 1920

 1921

 1922

  • Taking The Veil
  • The Fly
  • Honeymoon
  • The Canary

www.katherinemansfieldsociety.org

 

Fontes:

www.katherinemansfield.net
www.katherinemansfield.com
wikipedia.org/wiki/Katherine Mansfield
www.revan.com.br

┼Ψ╬† sσnia ┼Ψ╬┼

Gosto de tudo da Inglaterra: literatura, filmes, séries, sitcons, sotaque, educação, polidez, costumes, parques, praças, arquitetura… Tudo! Fui Influenciada pela literatura inglesa que eu li avidamente. Morar lá é o meu objetivo de vida.