Jane Austen queria ser publicada e ganhar dinheiro como todos nós

austen-leigh-31Imagine Jane Austen em sua casa de campo, usando sua touca com babados com a pena na mão. Ela escreve, pois os fogos do talento a obrigam, e ela não recebe nenhum tostão, ou qualquer outra espécie de remuneração financeira. Ela é muito gentil para isso. Errado! Austen estava profundamente interessada em assuntos de negócios que dissessem respeito aos seus esforços literários.

Jane Austen não foi “descoberta” de qualquer jeito; ela e sua família optaram por alguns locais para a publicação disponíveis para eles, nenhum deles atraentes ou rentáveis. Incapazes de encontrar um bom lar para Orgulho e Preconceito, embarcaram em uma missão semelhante para Razão e Sensibilidade. Finalmente, descobriram uma editora respeitável, a Thomas Egerton, para imprimi-lo em regime de comissão.

Ela estava ansiosa para vê-lo impresso, independentemente do método, e escreveu para sua irmã:

“Eu nunca estou muito ocupada para pensar em Razão e Sensibilidade. Já não posso mais esquecê-lo, tanto quanto uma mãe não pode esquecer sua criança de peito.”

Foi publicado em 1811 e levou dois anos para vender mil exemplares. Quando outra impressão foi encomendada, ela escreveu para Cassandra:

“Eu mal posso esperar para que muitos sintam-se obrigados a comprá-lo.”

Contentar-se com menos do que termos ideais

Orgulho e Preconceito foi logo depois comprado pela Egerton com pouco alarde e termos até menos favoráveis. Os Austens decidiram vender os direitos autorais, esse foi outro caminho para ser publicado. Ela recebeu £110, e escreveu em uma carta:

“Eu preferia ter recebido £150, mas ambos não estaríamos satisfeitos, e eu não estou surpresa por ele não ter escolhido [sic] arriscar-se tanto.”

O livro foi publicado com aclamação da crítica em 1813, e foi um dos romances de maior sucesso da temporada. Seu autor foi identificado na página de título apenas como “A Lady”. A  publicação passou por três edições em seu tempo de vida, mas por ter vendido os direitos autorais (que duraram vinte e oito anos), ela não recebeu mais nenhuma remuneração.

Vendas modestas, sucesso modesto

Apesar das vendas modestas para os padrões de hoje, Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade foram considerados sucessos, e prepararam o terreno para vendas lentas e constantes de seus livros posteriores. Austen aguardava ansiosamente pelos pagamentos, e sabia exatamente quando esperá-los, muito diferente de autores contemporâneos que se penduram na caixa de correio quando chega o tempo livre. No total, ela ganhou cerca de £680 por seus livros durante sua vida, não foi uma soma deslumbrante, mas um recebimento que lhe deu grande prazer. É difícil saber o quão importante essa soma foi para os Austens, mas para colocá-lo em um pouco de perspectiva, o dote de sua heroína ficcional de renome, Elizabeth Bennett, é no valor de £1.000. O futuro marido de Elizabeth, o Sr. Darcy, tem uma renda de £10.000 por ano, o equivalente a um milionário.

Será que Jane Austen teria continuado a escrever sem recompensa financeira? Estou confiante de que sim, embora ela pudesse estar menos contente do que as nossas noções românticas sobre isso poderiam nos levar a acreditar. Talvez a jovem Sylvia Plath tenha resumido melhor o dilema:

“Você faz para si mesmo em primeiro lugar. Se isso trouxer dinheiro, que bom. Você não o faz em primeiro lugar pelo dinheiro. O dinheiro não é o motivo de você sentar-se à máquina de escrever. Não que você não o queira. É muito bom quando uma profissão paga o seu pão com manteiga. Com a escrita, é talvez sim, talvez não.”

divider79

Extraído e adaptado do The Literary Ladies’ Guide to the Writing Life*.
Texto original: http://www.literaryladiesguide.com/
Ilustração: Encontrado em jasna.org
Foto: https://www.flickr.com/photos/almaduss/

Adna Rios

Sou formada em Letras. Professora de Espanhol e Português e sou nordestina de Fortaleza. Nerd orgulhosa do título, apaixonada por livros, séries, filmes e música de diversos gêneros, principalmente se forem da terra da Rainha. :)