Jane Austen: 6 fatos interessantes sobre a amada autora inglesa

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Jane Austen, drawing by sister Cassandra. (Photo: Wikipedia)

No aniversário de 240 anos do nascimento de Jane Austen. Iris Lutz e Claire Bellanti da Jane Austen Society of North America recapitulam alguns pontos altos da vida, da carreira e do impacto literário de Austen.

  1. Apesar de nunca ter se casado, Jane Austen ficou noiva… por uma noite. Ela recebeu e aceitou um pedido de casamento em 2 de dezembro de 1802, duas semanas antes de seu aniversário de 27 anos. De acordo com a tradição familiar, Jane Austen e sua irmã foram visitar suas amigas de longa data, Alethea e Catherine Bigg, em Manydown Park, quando o irmão de suas amigas, Harris Bigg-Wither, fez o pedido. Cinco anos e meio mais novo que Jane, Harris era, de acordo com a sobrinha da autora – Caroline Austen, “uma pessoa muito simples… desajeitado e tinha até modos grosseiros… Eu presumo que as vantagens que ele podia oferecer, a gratidão dela pelo seu amor e a longa amizade dela com a família dele induziram a minha tia a decidir se casar com ele…”.

Jane Austen mudou de ideia na mesma noite, no entanto, e recusou o pedido na manhã seguinte. A estranheza da situação fez com que ela deixasse Manydown imediatamente. Só podemos especular o que Jane pensava sobre o pedido. Talvez, inicialmente, ela aceitou porque o casamento daria a ela segurança financeira e meios para assistir aos seus pais e à sua irmã. E, talvez, ela mudou de ideia porque acreditou – como, mais tarde, escreveu para uma sobrinha que considerava um casamento por conveniência – que “nada pode se comparar à angústia de estar ligado a alguém sem amor”. Felizmente para os leitores, ela escolheu permanecer solteira e conseguiu focar em sua escrita ao invés de cuidar de uma casa e criar filhos.

  1. Jane Austen continuou a imaginar a vida de seus personagens depois de acabar um romance. Em “Memórias de Jane Austen”, seu sobrinho James Edward Austen-Leigh escreveu: “Ela diria, se pedissem, várias pequenas particularidades sobre o curso de vida subsequente de alguns de seus personagens”. Por exemplo, Anne Steele, a irmã tola e vulgar de Lucy em “Razão e Sensibilidade”, não conseguiu o Dr. Davies depois de tudo. E, após o final de “Orgulho e Preconceito”, Kitty Bennett eventualmente se casou com um clérigo perto de Pemberley, enquanto Mary terminou com um secretário que trabalhava para o seu tio Phillips. Algumas das revelações mais interessantes, entretanto, pertencem a “Emma”. O sr. Woodhouse não só sobreviveu ao casamento de Emma com o sr. Knightley, mas também fez com que a filha e o genro morassem em Hartfield por dois anos. Deirdre Le Faye também observou em “Jane Austen: A Family Record” que “de acordo com uma informação familiar menos conhecida, a delicada Jane Fairfax viveu somente nove ou dez anos após seu casamento com Frank Churchill”.
  2. Os sobrenomes de uma série de personagens de Austen podem ser encontrados dentro da proeminente e rica família Wentworth de Yorkshire – que também ocorre de ser ligada a própria árvore genealógica de Jane Austen. Sua mãe, Cassandra Austen, née Leigh, foi sobrinha-neta do primeiro Duque de Chandos (1673-1744) e Cassandra Willoughby. Sua mãe também era ligada a Thomas, segundo Barão Leigh de Stoneleigh (1652-1710), que foi casado duas vezes: primeiro com Eleanor Watson e depois com Anne Wentworth, filha do primeiro Conde de Strafford.

Como o falecido Professor Donald Green observou: “Quando o esnobe Sir Walter Elliot diz do herói de ‘Persuasão’: ‘O sr. Wentworth não era ninguém… um tanto sem conexões, nada com a família Strafford. Imagina-se como os nomes de tantos dos nossos nobres se tornaram tão comuns’ acrescenta-se a ácida sátira de que a família de Jane Austen era, de fato, ‘conectada’ com os verdadeiros Strafford Wentworths”.

Austen também usou nomes da genealogia dos Wentworth enquanto escrevia “Orgulho e Preconceito”. O seu herói sr. Darcy, o sobrinho de um conde, carrega os nomes de dois ricos e poderosos ramos da família Wentworth: Fitzwilliam (como os Condes Fitzwilliam de Wentworth House, em Yorkshire) e D’Arcy.

A Professora Janine Barchas, da Universidade do Texas em Austin e autora de “Matters of Fact in Jane Austen” também observou que Austen utilizou outro nome da família Wentworth no romance “Emma”: “No século XIII, um Robert Wentworth se casou com uma rica herdeira cujo nome era Emma Wodehouse”.

  1. Jane Austen levava a sério sua escrita. Ela começou a escrever histórias, peças e poesia quando tinha 12 anos de idade. A maioria de sua “Juvenilia”, como material que ela escreveu em sua juventude é chamado, tinha uma veia cômica. Ela escreveu paródias de histórias de livros didáticos, “A história da Inglaterra… por uma parcial, preconceituosa e ignorante historiadora”, quando ela tinha 16 anos. Ela também escreveu paródias dos romances “sensíveis” que eram populares em sua época. Os membros da família Austen liam em voz alta e apresentavam peças uns para os outros e ela aprendeu dessas atividades e dos comentários que sua família fazia sobre o seu empenho. Aos 23 anos, Austen tinha escrito os primeiros rascunhos dos romances que depois se tornaram “Razão e Sensibilidade”, “Orgulho e Preconceito” e “A Abadia de Northanger”.

Das cartas que ela escreveu para sua irmã, Cassandra, e outros membros da família, pode-se notar que Jane Austen era orgulhosa de sua escrita. Ela gostava de discutir sobre seu último trabalho, dividir notícias sobre o progresso de um romance na editora e dar conselhos sobre a capacidade de escrever, inspirando autores da família. Ela também teceu cuidadosamente comentários feitos por membros da família sobre “Mansfield Park” e “Emma” e se referiu a “Orgulho e Preconceito” como seu “filho querido”. Jane Austen continuou escrevendo durante sua vida adulta até pouco antes de morrer em Julho de 1817.

  1. A vida de Jane Austen não era limitada à uma existência reclusa no campo. Inicialmente, sua vida parece ter sido tranquila e isolada; ela nasceu em uma pequena vila no campo e viveu lá por 25 anos. Seu sobrinho James Edward Austen-Leigh publicou “Uma Memória de Jane Austen” em 1869, o que reforçou a imagem de que ela era uma tia solteira modesta e calma no melhor da tradição Vitoriana. No entanto, ela levou uma vida bem ativa com viagens e relações sociais de todos os tipos. Através de sua família e amigos, ela aprendeu bastante sobre o mundo ao seu redor.

Jane Austen frequentemente ficava com seu irmão Henry em Londres, onde ela atendia a peças e exibições regularmente. Seu irmão Edward foi adotado por primos ricos, eventualmente herdando suas propriedades no Kent (Godmersham) e Hampshire (Chawton) e adotando o nome deles (Knight). Durante um período de 15 anos, Austen visitava a propriedade de Edward, Godmersham, e ficava meses de uma vez, relacionando-se com os amigos elegantes e ricos dele e aproveitando a vida privilegiada da aristocracia rural. Essas experiências refletiram em toda a sua obra.

Jane Austen também estava bem consciente dos horrores da Revolução Francesa e do efeito das Guerras Napoleônicas nas pessoas e na economia britânica. O marido de sua prima foi guilhotinado durante a Revolução Francesa e seus irmãos Francis (Frank) e Charles foram oficiais da Marinha Real, servindo em barcos ao redor do mundo durante o conflito. Sir Francis William Austen (um ano mais velho do que Jane) avançou de posição e eventualmente foi nomeado cavalheiro. Ele foi promovido a Almirante da Frota em 1860. O Almirante Posterior Charles John Austen (quatro anos mais novo do que Jane) tinha seu próprio e foi servir na América do Norte em 1810. Por meio de correspondência e visitas frequentes a esses dois irmãos e suas famílias, ela aprendeu bastante sobre a Marinha, que ela incorporou em “Mansfield Park” e “Persuasão”.

  1. Homens também leem Jane Austen. Os romances de Jane Austen às vezes são vistos como romances “chick-lit”, levando alguns homens a pensar que eles não iriam gostar de os ler. Mas Jane Austen sempre teve admiradores do sexo masculino. Seus livros não são só sobre romance, eles têm um sério propósito em forma de romance. Seus personagens críveis, enredos realísticos, temas morais, comédia e humor ácido encantam homens e mulheres.

O Primeiro Ministro Harold Macmillan admitiu ler os romances de Jane Austen e Winston Churchell, creditou a ela ajudá-lo a ganhar a Segunda Guerra Mundial. Rudyard Kipling lia Jane Austen em voz alta para a sua esposa e filha todas as noites a fim de levantar o astral delas depois que seu filho, lutando na Segunda Guerra, foi tido como desaparecido e dado como morto. Mesmo depois da guerra, Kipling voltou-se à Jane Austen com “The Janeites”, um conto sobre um grupo de soldados de artilharia britânica na Segunda Guerra, que se aproximaram devido ao seu gosto compartilhado pelos romances de Jane Austen. E um de seus contemporâneos, Sir Walter Scott, louvou sua escrita em seu diário:

“Li novamente, e pela terceira vez pelo menos, o romance de ‘Orgulho e Preconceito’ muito bem escrito da srta. Austen. Aquela jovem tem um talento na descrição de envolvimentos e sentimentos e personagens de uma vida simples, que é a coisa mais maravilhosa que já encontrei”.

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Fonte: biography.com

Enza G. Said

Capixaba, acadêmica de Direito, amo a cultura inglesa, mas sonho em morar no sul da França. Sou apaixonada por música clássica, chá, cheiro de chuva e filmes antigos; passo horas relendo trechos dos meus livros favoritos e toco piano nas horas vagas. Contato: enzasaid@gmail.com

  • Luciana Campelo

    Não tem como não admirar mais e mais a querida Jane Austen. 🙂