Biografia de Charlotte Brontë, por Elizabeth Gaskell

6e07d566a137136fc8b9e1f28f7b1e10Gaskell conheceu Charlotte na residência de verão de um amigo em comum, Sir James Kay-Shuttleworth, em 1850. Elas se tornaram amigas, trocaram cartas e, ocasionalmente, visitavam as casas uma da outra. Pouco depois da morte de Charlotte, Gaskell manifestou interesse em anotar tudo o que ela conseguia se lembrar de sua amiga com a ideia de um dia escrever uma biografia. Patrick Brontë, o pai de Charlotte, consternado com várias histórias descaradamente erradas que foram publicadas após a morte de sua filha, pediu a Gaskell para ser sua biógrafa oficial. Em troca, ele e o marido de Charlotte, Arthur Bell Nicholls, cooperariam plenamente e forneceriam as cartas e facilitariam o acesso de Gaskell aos amigos e vizinhos de Charlotte.

Gaskell, contudo, não se contentou em escrever um “breve relato de sua vida” como Patrick Brontë havia solicitado. Em vez disso, fez uma tremenda pesquisa para complementar seu conhecimento pessoal de Charlotte, da sua família e de sua história. Ela obteve permissão para ler e divulgar, se quisesse – e o fez, em parte – as mais de 350 cartas que Charlotte trocou com sua melhor amiga, Ellen Nussey; também buscou as cartas que Charlotte trocou com membros de sua família, outros amigos próximos, editores e amigos literários, incluindo GH Lewes e Thackeray. Ela visitou praticamente cada lugar que Charlotte passou ou viveu, incluindo Cowan Bridge School, visitou o diretor da escola Roe, o pensionnat Heger, em Bruxelas e o Coffee House, em Londres. Lógico, é claro, Haworth e Keighley. Ela entrevistou amigos de Charlotte, vizinhos, empregados, pai e marido, e foi autorizada a ler O Professor, que ainda era inédito na época da morte de Charlotte.

Gaskell disse, na época, que queria que Charlotte tivesse contado a sua própria história, com suas palavras (o que ela fez, em Villette).

Quando você se lembra que este trabalho foi escrito por uma amiga de Charlotte, ele assume um tom muito precioso. Gaskell visitou Haworth e viu como Charlotte vivia com seu pai; treinou-a em situações sociais, as quais Charlotte temia; aconselhou-a sobre se deveria ou não aceitar a proposta de casamento de Nicholls; discutiu as obrigações sociais e morais de uma romancista e ouviu as histórias do irmão e das irmãs de Charlotte. Ela caminhou nos mouros com Charlotte, portanto, vivenciou o seu mundo. Muitos estudiosos a acusam de ter escrito uma biografia parcial, distorcida ou, pelo menos, um quadro incompleto da vida de Charlotte. No entanto, não podemos esquecer de que esta foi a forma que seu pai, seu marido, seus amigos, e Charlotte, queria que ela fosse vista.

Elizabeth Gaskell foi uma senhora vitoriana que escreveu um memorial a uma amiga. Não há dúvida de que ela descobriu informações sobre Charlotte (por exemplo, sua paixão não correspondida por seu tutor casado, M. Constantin Heger, durante o tempo em Bruxelas) que ela optou por não incluir em sua história porque ela iria introduzir uma faceta de Charlotte incompatível com o jeito que ela queria retratá-la. Também, não há dúvida, de que ela sentiu que seria injusto com Charlotte e com Arthur de Bell Nicholls fazê-lo.

Após a publicação da primeira edição, Gaskell foi a Roma para descansar, mas, em seu retorno, foi esmagada pelas ações judiciais por difamação. Gaskell havia escrito que a mulher tinha seduzido o irmão de Charlotte, Branwell, enquanto ele fora contratado como professor particular em sua casa; representantes da família da escola Cowan Bridge, que serviu de modelo para Lowood, em Jane Eyre; o homem que tentou passar cópias de outros romances das irmãs Brontë, como sendo o autor de Jane Eyre, e um revisor “injurioso” de Jane Eyre a quem Gaskell repreendeu sem piedade. Todos a processaram.

Trecho da biografia depois do casamento de Charlotte e Nicholls:

“Daí em diante as portas sagradas da casa estavam fechadas sobre sua vida de casada. Nós, seus amigos queridos, do lado de fora, tínhamos vislumbres ocasionais do brilho e ouvíamos murmúrios pacíficos e agradáveis, dizendo da alegria de dentro; e nós olhamos um para o outro, e gentilmente dissemos: ‘Depois de uma dura e longa luta – depois de muitos cuidados e muitas dores amargas – ela está provando felicidade agora.’ Pensamos nos seus personagens, e como eles se voltariam felizes para o calor do sol e a doçura madura e completa na calma paz doméstica. Lembramos das suas provações e ficamos contentes com a ideia de que Deus achou por bem enxugar as lágrimas de seus olhos. Aqueles que a viram, enxergaram uma mudança em seu olhar, dizendo coisas do seu interior. E nós pensamos, e nós esperávamos, e nós profetizamos, em nosso grande amor e reverência. 

Mas os caminhos de Deus não são os nossos caminhos!”

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Fonte: http://janegs.blogspot.com.br
Traduzido e editado por Chirlei Wandekoken.

 

┼Ψ╬† sσnia ┼Ψ╬┼

Gosto de tudo da Inglaterra: literatura, filmes, séries, sitcons, sotaque, educação, polidez, costumes, parques, praças, arquitetura… Tudo! Fui Influenciada pela literatura inglesa que eu li avidamente. Morar lá é o meu objetivo de vida.