BBC – Being the Brontes (2016) | Semana Charlotte Brontë

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O documentário Being the Brontës  (BBC, 2016, 59 minutos) foi feito para comemorar os 200 anos do nascimento de Charlotte Brontë. A apresentadora da BBC Martha Kearney, a romancista Helen Oyeyemi e a jornalista Lucy Mangan exploram as particularidades das vidas das Brontës e tentam entender o contexto – tanto social e econômico da família, quanto mental e psicológico de cada uma das irmãs – que levou à produção, quase simultânea, de três clássicos da Literatura Inglesa.

Martha Kearney fica com Charlotte e seu Jane Eyre. Para entender a infância de Charlotte, há uma encenação de uma pregação de William Wilson numa igreja vazia. É bem chocante. Cowan Bridge, a escola onde Charlotte estudou, foi fundada por Mr. Wilson, um homem que acreditava que era melhor uma criança morrer jovem, antes de ter oportunidade de cometer vários pecados. Essa “religião de morte” pode ser vista na segunda parte de Jane Eyre, na terrível Lowood.

Já para entender a juventude e vida adulta de Charlotte, Martha visita um descendente de Constatin Heger. Ela também tem acesso a um espartilho que pertenceu a Miss Brontë. É curioso porque Charlotte era minúscula, mas, mesmo assim, o usava bem apertado. A especialista afirma que uma explicação seria porque ela queria alguma sensação de controle e também, talvez, alguma punição, já que o espartilho era feito com barbatanas de ferro, em vez de madeira ou marfim, o que lhe dava pouquíssima mobilidade.

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Lucy Mangan fica com Anne e Agnes Grey. Ela visita um quarto de governanta numa mansão e veste um uniforme para experienciar o emprego que era uma das únicas opções decentes do século XIX. Uma curiosidade que me fez simpatizar com Anne: um dia, ela estava tão desesperada com as crianças que as amarrou a uma perna da mesa. E o que aconteceu? A mãe apareceu no exato momento (isso é ou não inacreditável?).

Helen Oyeyemi fica com Emily e O Morro dos Ventos Uivantes. Para entender a irmã do meio ela aprende a atirar com uma pistola, atividade que o pai ensinou para Emily e pela qual ela era responsável (descarregar, limpar e carregar novamente), faz pão caseiro e dorme no presbitério (ou não dorme, já que a noite foi meio agitada pelo vento e por “fantasmas”).

Há muitas informações e ideias para refletir no documentário. Sobre Jane Eyre, temos a ideia de que Branwell é parte da inspiração para Bertha Mason: o irmão bêbado e drogado no andar de cima / a louca no sótão; sobre Agnes Grey temos a ideia dessa moça de classe média que se torna uma serviçal doméstica; em Wuthering Heights temos a ideia de que nas entrelinhas Heathcliff é um protótipo do Frankstein – aquele que é abandonado pelo seu criador e depois busca vingança contra a humanidade.

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Martha, Helen e Lucy também fazem coisas juntas, como ver os minilivros, feitos para serem lidos pelos soldadinhos de chumbo que inspiraram os mundos de Gondal e Angria (e que são impressionantes; como foi dito, aquilo é “fisicamente impossível!”), e visitar a livraria onde os livros foram vendidos pela primeira vez para discutirem sobre as críticas que eles receberam na época (uma crítica disse que se Jane Eyre não tivesse sido escrito por um homem, deveria ter sido escrito por uma delinquente sexual).

E juntas também elas estavam em duas das minhas partes favoritas: a encenação do casamento de Charlotte (que eu juro, quase parece real: de onde tiraram aquele clone dela?) e uma caminhada pelas charnecas. Lemos sobre esse ambiente de Yorkshire tantas vezes nas obras das irmãs Brontë e em biografias e percebemos o amor que elas tinham por aquele lugar, pela natureza, mas não compreendemos realmente o sentido dos moors até tê-los diante dos nossos olhos (nem que seja na TV). Me deu uma sensação de liberdade toda aquela vastidão e o vento forte. O Morro dos Ventos Uivantes se torna real ali e temos quase a sensação de que poderemos ver as três irmãs despontando numa curva.

Photo credit iStock

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Com uma fotografia muito bonita e uma condução muito interessante – que inclui não só a visita a Yorkshire e ao Haworth Parsonage e as experiências bronteanas, mas a presença de especialistas, encenações e leituras dramáticas de trechos dos livros – Being the Brontës é um documentário que precisa ser assistido por aqueles que amam as irmãs Brontë. Apesar da curta duração (você provavelmente vai dizer, como eu, “mas já?”), tem tempo suficiente para nos fazer entrar – nem que seja um pouquinho – na pele e na mente das irmãs que revolucionaram a História da Literatura Inglesa.

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Martha Kearney, a romancista Helen Oyeyemi e a jornalista Lucy Mangan

 

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Você pode encontrar mais informações aqui: http://www.bbc.co.uk/programmes/p03kcd3l

 

 

Charlotte Brontë se casa novamente na Igreja Paroquial de Haworth

 

Rebeca Lima Teixeira

Soteropolitana. Bacharel em Língua Inglesa. Cristã. Caseira e reservada, amo dias de chuva e de vento, solidão e silêncio, plantas e passarinhos, panetone e chocotone. Apaixonada por História e Literatura, especialmente a Inglesa - meus livros favoritos falam por mim. http://www.skoob.com.br/usuario/621503-rebeca Contato: rebecaausten@gmail.com

  • Luciana Campelo

    Quero muito assistir! Espero que com legendas.

    • Eu baixei o vídeo do DailyMotion e achei legendas em inglês no site subsaga.com.

  • dnisin

    Se alguém se disponibilizar em me ajudar com a transcrição, posso legendar em português o documentário.
    Tem no yt: https://www.youtube.com/watch?v=G993MpYFI00

    • Denise, posso te mandar a legenda em inglês que eu achei. Seria muito legal da sua parte fazer isso, para que outras pessoas possam assistir – e eu agradeço desde já.
      Vou mandar inbox pela página do Facebook do Seja Cult.

      Abraços!