Aos 15 anos, Jane Austen escreve uma satírica história sobre a Inglaterra

Por Ilia Blinderman

Na semana passada nós postamos sobre a colossal exposição virtual da Biblioteca Nacional, que inclui mais de trinta mil itens, todos livremente digitalizados para o leitor meticuloso. Embora nós tenhamos mencionado algumas das obras mais escolhidas – os escritos originais de Mozart e da Vinci, por exemplo – nós recentemente cruzamos com um pedaço da historia literária que nos obrigou a rever a coleção: um manuscrito navegável da Historia da Inglaterra de Jane Austen, escrito em 1791, quando a autora tinha somente 15 anos.

EDWARD

Jane Austen foi, de um modo geral, uma criança educada em casa e autodidata. Embora tivesse participado de algum aprendizado formal entre a idade de 7 e 10 anos, doenças e falta de recursos da família ditaram que ela tinha que contar com a extensa biblioteca de seu pai para uma educação. Quando chegou aos 15 anos, Jane Austen tinha, evidentemente, reunido material suficiente para alimentar sua escrita e tinha completado a Historia da Inglaterra, começando com Henry IV (1367-1413) e terminando com Charles (1600-1649). Acima, você pode ver uma das muitas ilustrações do livro desenhado pela irmã mais velha de Jane, Cassandra, que descreve Edward IV, de quem Austen escreve:

“Este monarca era famoso somente pela sua beleza e sua coragem, de que a imagem que temos dado aqui a ele e seu comportamento destemido em se casar com uma mulher enquanto estava noivo de outra, são provas suficientes”.

Apesar da sua brevidade – o número do livro de apenas 36 paginas manuscritas – a juvenília de Austen mostra sinais evidentes de sua distinta voz satírica. O volume é, de fato, uma paródia das reivindicações abafadas de objetividade encontradas em livros didáticos de História da escola primária do século 18, como Oliver Goldsmith de A História da Inglaterra dos Tempos Antigos até a Morte de George II. Ao invés de seguir o exemplo, Austen pula trivialidades, como datas-chaves e eventos, anotando para seus leitores na introdução para a seção de Henry VIII (Henrique VIII):

“Seria uma afronta aos meus Leitores estarem como eu suponho que eles não estejam bem familiarizados com as particularidades do reinado do rei como eu mesmo estou. Será, portanto, poupando-lhes a tarefa de ler novamente o que leram antes, e eu mesmo, o trabalho de escrever o que eu não lembro perfeitamente, dando apenas um ligeiro esboço dos principais eventos que marcaram o seu reinado”.

Eu tive a sensação que Austen sentia tanto prazer em escrever uma prosa bem-humorada quanto eu me divertia lendo-a.

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Henry 5º (Henrique V)

Este príncipe depois que subiu ao trono cresceu muito mudado e amável, abandonando todos os seus colegas dissipados e nunca debatendo com Sir Willian novamente. Durante seu reinado, Lord Cobham foi queimado vivo, mas eu esqueci o motivo. Sua majestade, em seguida, voltou seus pensamentos para a França, onde ele foi e lutou na famosa Batalha de Agincourt. Em seguida, ele se casou com a filha do rei, Catherine, uma mulher muito agradável por conta de Shakespeare. Apesar de tudo isso, porém, ele morreu e foi sucedido por seu filho Henry.

Henry 6º (Henrique VI)

Eu não posso dizer muito sobre o senso deste monarca. Nem eu, se pudesse, pois ele era um Lancaster. Eu suponho que vocês saibam tudo sobre a guerra entre ele e o Duque de York, que era do lado direito; se não sabe, você tem que ler melhor alguma outra História, pois não devo ser muito difusa neste, significando que só desafogo minha má disposição contra e mostro a minha aversão a todas aquelas pessoas cujos partidos ou princípios não se adequem ao meu, e não para dar informações. Este rei casou com Margaret de Anjou, uma mulher cuja angustia e desgraças eram tão grandes que quase me fez odiá-la, ter pena dela. Foi nesse reinado que Joana D’arc viveu e fez um berreiro contra a Inglaterra. Eles não deveriam tê-la queimado viva, mas eles fizeram.

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O livro inteiro, incluindo as páginas acima sobre as Rainhas Mary e Elizabeth, pode ser visto no site da Biblioteca Britânica.

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Fonte: Open Culture

Marcia Bock Belloube

Tradutora e revisora, apaixonada por livros, filmes e cultura britânica. Fã e leitora incondicional de Jane Austen e Chalortte Bronte, mas não recuso um bom livro de escritores contemporâneos.

  • Leila Maciel

    Ah, preciso ler esse livro!