Anne Brontë

Anne, por Charlotte Brontë

Anne, por Charlotte Brontë

Anne, o mais novo membro da família Brontë, nasceu em 17 de janeiro de 1820, no número 74 da Market Street, em Thornton, Bradford, Yorkshire, Inglaterra. Quando Anne nasceu, seu pai era o pároco de Thornton e ela foi batizada lá em 25 de março de 1820. Pouco depois, o pai de Anne foi para Haworth, uma pequena cidade a cerca de sete milhas (11km) de distância. Em abril de 1820, a família Brontë se mudou para o Parsonage Haworth. Essa casa ficou como casa da família Brontë para o resto de suas vidas.

“Haworth Parsonage fica à beira de um pântano, cerca de oito km a oeste de Bradford, Yorkshire, é uma das casas mais famosas do mundo. Era a casa das irmãs Brontë: Charlotte, Emily e Anne. Dentro de suas paredes de pedra, pouco mais de um século atrás, elas escreveram Jane Eyre, O Morro dos Ventos Uivantes, Agnes Grey e A Inquilina de Wildfell Hall.

A casa, baixa e retangular, fica em uma colina a cerca de 100 metros de Haworth, igreja da vila. Os oito quartos, que hoje formam o Museu Brontë, testemunharam uma vida feliz em família, segredos emocionantes  e tragédias de partir o coração.

Em setembro de 1821, apenas 18 meses depois que Patrick Brontë, um padre irlandês alto e bonito, tinha se mudado para a casa paroquial, sua esposa morreu. Ele ficou com seis filhos pequenos para cuidar”.

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Haworth Parsonage, Escola Dominical e Igreja por Elizabeth Gaskell

Haworth Parsonage, Escola Dominical e Igreja por Elizabeth Gaskell

 

Maria Branwell Copyright © 1999 Michael Armitage

Maria Branwell Copyright © 1999 Michael Armitage

Anne tinha apenas um ano de idade quando sua mãe ficou doente do que se acredita ter sido câncer uterino. Maria Branwell morreu em 15 de setembro de 1821. A fim de proporcionar uma mãe para seus filhos, Patrick tentou casar, mas não teve sucesso. A irmã de Maria, Elizabeth Branwell (1776-1842), havia se mudado para a casa paroquial, inicialmente para cuidar de sua irmã antes dela morrer, mas depois dedicou o resto de sua vida a criação dos filhos Brontë. Ela fez isso a partir de um senso de dever, mas ela era uma mulher de pompa, que inspirava respeito, ao invés de amor. Havia pouca afeição entre ela e as crianças mais velhas, mas Anne era sua favorita. As duas dividiam um quarto e eram muito próximas. Isso pode ter influenciado muito Anne no seu exagero religioso.

No verão de 1824, Patrick enviou suas filhas Maria, Elizabeth, Charlotte e Emily para Crofton Hall, em Crofton, West Yorkshire, e depois para Clergy Daughter’s School, Cowan Bridge, Lancashire.

Quando as duas irmãs mais velhas morreram de tuberculose em 1825, Maria, em 6 de Maio e Isabel em 15 de Junho, Charlotte e Emily foram levadas imediatamente de volta para casa. A morte inesperada das irmãs mais velhas de Anne deixou a família enlutada e Patrick não pode mandar as filhas para a escola outra vez. Nos cinco anos seguintes todas as crianças Brontë foram educadas em casa, principalmente por seu pai e sua tia. Os jovens Brontës nada fizeram para se relacionarem fora do presbitério e os pântanos desertos circundantes de Haworth se tornaram seu playground.

“Embora a disciplina no presbitério fosse rigorosa, as crianças tiveram tempo e imaginação para criar suas próprias diversões. Em dias de verão, elas brincavam no alto da charneca, explorando vales e ravinas. No inverno, quando os ventos sopravam, elas ficavam dentro de casa, gastando seu seu tempo escrevendo.

Elas escreviam histórias e “publicavam” suas próprias revistas. No ano em que Charlotte fez 13 anos, ela escreveu nada menos que 22 “livros”! Alguns deles eram tão pequenos que as páginas, que ela costurou juntas, tinham apenas dois centímetros quadrados”.

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Elizabeth Branwell com 23 anos © 1999 Michael Armitage

Elizabeth Branwell com 23 anos © 1999 Michael Armitage

Os estudos de Anne foram feitos em casa e incluía música e desenho. Anne, Emily e Branwell tiveram aulas de piano, no presbitério, da organista da paróquia Keighley. As crianças Brontë receberam aulas de arte de John Bradley de Keighley, e todos eles desenvolveram alguma habilidade. A tia procurou se certificar de que as meninas saberiam administrar uma casa, mas suas mentes estavam mais inclinadas para a literatura.  A abastecida biblioteca do pai era uma das principais fontes de conhecimento delas. Elas liam a Bíblia, Homero, Virgílio, Shakespeare, Milton, Byron, Scott e muitos outros e examinaram os artigos da Blackwood’s Edinburgh Magazine, Fraser’s Magazine e The Edinburgh Review. Além disso, elas liam geografia, história e biografias.

Essas leituras alimentavam a imaginação das Brontës. A criatividade das crianças foi posta à prova quando seu pai deu ao filho Branwell um conjunto de soldados de brinquedo em Junho de 1826. Eles deram nomes aos soldados e desenvolveram os seus personagens, o que eles chamaram de “Twelves”. Isso levou a criação de um mundo imaginário: o Reino Africano de “Angria”. Que foi ilustrado com mapas em aquarela. As crianças mantiveram-se ocupadas na concepção do povo de Angria, e sua capital “Glass Town”.

Esse mundo de fantasia gradualmente adquiriu todas as características do mundo real com soberanos, exércitos, heróis, bandidos, fugitivos, pousadas, escolas e editoras. Para esse mundo as crianças criaram jornais, revistas e escreveram crônicas em pequenos livros com a escrita tão pequena que era difícil ler sem o auxílio de uma lupa. Essas criações juvenis e textos serviram como aprendizado para o que viria mais tarde: os romances.

Em 1831, quando Anne tinha onze anos, ela e sua irmã Emily romperam com Charlotte e Branwell na criação e desenvolvimento das sagas de ficção “Angria” e criaram seu próprio mundo de fantasia “Gondal”. Anne estava neste momento particularmente próxima de Emily e a proximidade dessa relação foi reforçada pela partida de Charlotte para Roe Head School, em janeiro de 1831. Quando a amiga de Charlotte, Ellen Nussey, visitou Haworth em 1833, ela informou que Emily e Anne eram “Como gêmeas companheiras inseparáveis”. Ela descreveu Anne assim:

“Querida e gentil Anne! Tão diferente na aparência dos outros irmãos, ela era a favorita da tia. Tinha lindos cabelos castanho claro que emolduravam seu pescoço e face graciosos; lindos olhos azuis-violeta; sobrancelhas finamente pinceladas e uma pele muito branca. Ela continuou os seus estudos, especialmente costura, sob a vigilância da tia.”

Anne teve aulas com Charlotte, depois que ela voltou do internato, em Roe Head. Mais tarde, Anne começou os estudos formais em Miss Wooler’s school em Roe Head, Huddersfield. Charlotte voltou para lá em 29 de julho de 1835 como professora. Emily a acompanhou como aluna, sua matrícula em grande parte foi financiada pelo ensino de Charlotte. Depois de alguns meses, Emily foi incapaz de se adaptar à vida na escola, e em outubro, ficou fisicamente doente e foi substituída por Anne.

Roe Head, desenhada por Anne Brontë

Roe Head, desenhada por Anne Brontë Copyright © 1999 Michael Armitage

Anne saiu de casa aos quinze anos pela primeira vez. Fez poucos amigos em Roe Head. Ela estava tranquila e determinada a começar uma educação que lhe permitisse sustentar a si mesma. Anne permaneceu em Roe Head por dois anos, ganhando uma medalha de boa conduta e retornando para casa somente durante o Natal e as férias de verão. Anne e Charlotte não parecem ter sido próximas durante o tempo em Roe Head (cartas de Charlotte quase nunca mencionam Anne), mas Charlotte estava preocupada com a saúde de sua irmã. Antes de dezembro de 1837, Anne ficou seriamente doente com gastrite e passou por uma crise religiosa. O ministro da Moravian Church foi chamado para ver Anne várias vezes durante sua doença, sugerindo que seu sofrimento era causado, pelo menos em parte, pelo conflito com o clero anglicano local. Charlotte estava suficientemente preocupada com a doença de Anne e notificou o pai que a levou para casa até sua recuperação.

Emprego na Blake Hall

Pouco se sabe sobre a vida de Anne em 1838, mas em 1839, um ano depois de deixar a escola e com  dezenove anos, ela estava ativamente à procura de uma posição de ensino. Como filha de um clérigo pobre, ela precisava trabalhar para ganhar a vida. Seu pai não tinha renda privada e a do presbitério seria revertida para a igreja com a morte dele. Ensinar ou ser uma governanta de uma família privada eram as poucas opções disponíveis para as mulheres pobres, mas educadas. Em abril de 1839, Anne começou a trabalhar como governanta da família Ingham em Blake Hall, perto de Mirfield.

Black Hall Copyright © 1999 Michael Armitage

Black Hall Copyright © 1999 Michael Armitage

As crianças do cargo de Anne eram mimadas e selvagens, a desobedeciam e a atormentavam. Ela passou por grandes dificuldades para controlá-las e não tinha quase nenhum sucesso em incutir alguma educação nelas. Ela não tinha o poder de infligir qualquer punição e, quando ela reclamou de seu comportamento para seus pais, não recebeu nenhum apoio, mas foi apenas criticada por não ser capaz de fazer seu trabalho. Os Inghams, insatisfeitos com o progresso de seus filhos, demitiram Anne no final do ano. Ela voltou para casa no Natal de 1839, juntando-se a Charlotte e Emily, que haviam deixado seus cargos, e Branwell.

O episódio inteiro em Blake Hall foi tão traumático para Anne, que ela o reproduziu quase detalhadamente em seu romance Agnes Grey.

William Weightman

This portrait of William Weightman was drawn by Charlotte in February 1840.

William Weightman, por Charlotte Brontë, fevereiro de 1840. Copyright © 1999 Michael Armitage

No retorno de Anne para Haworth ela conheceu William Weightman (1814-1842), o novo pároco de Patrick, que começou a trabalhar na paróquia em agosto de 1839. Aos vinte e cinco anos de idade ele havia obtido dois anos de licenciatura em Teologia da Universidade de Durham. Ele rapidamente se tornou bem-vindo no presbitério. É sabido que Anne escreveu uma série de poemas paralelamente com William Weightman, o que pode sugerir que ela se apaixonou por ele. Mas há discordância sobre este ponto. Não existe evidencia além de uma referência de Charlotte para Ellen Nussey em janeiro de 1842.

‘. . . Ele fica em frente a Anne na igreja suspirando baixinho e olhando com o canto dos olhos para ganhar sua atenção – e Anne é tão quieta, seu olhar tão baixo – eles são um retrato.

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William Weightman tinha boa aparência, era jovem, atraente, cujo fácil humor e gentileza para com as irmãs Brontë causaram uma impressão forte. Foi à inspiração de Anne para o seu Edward Weston, de Agnes Grey.

Se Anne se atraiu por Weightman, isso não implica que ele, por sua vez, foi atraído por ela. Na verdade, é inteiramente possível que Weightman não tenha tido consciência de seu interesse, nem suas irmãs ou sua amiga Ellen Nussey. Nem é provável que Anne acreditava que ele fosse interessado por ela. Seus poemas sugerem exatamente o oposto.

Anne teria conhecido William Weightman de férias no seu lar, especialmente durante o Verão de 1842, quando as irmãs foram embora. Ele morreu de cólera em 06 de setembro de 1842, com apenas 28 anos.

Anne escreveu uma série de poemas de amor que são muito difíceis de se associar com alguém que não seja ele.

Thorp Green

Thorp Grenn Hall

Thorp Grenn Hall Copyright © 1999 Michael Armitage

Anne logo obteve um segundo trabalho, desta vez como governanta dos filhos do Reverendo Edmund Robinson e sua esposa Lydia, em Thorp Green, uma casa de campo perto de York. Thorp Green apareceu mais tarde como Horton Lodge em seu romance Agnes Grey. Anne tinha quatro alunos: Lydia, 15 anos, Elizabeth, 13 anos, Maria, 12 anos e Edmundo, 8 anos. Inicialmente, ela encontrou os mesmos problemas, com crianças rebeldes, que tinha experimentado em Blake Hall.

Nos cinco anos seguintes, Anne não passou mais de cinco ou seis semanas por ano com sua família, durante as férias no Natal e em junho. O resto do ano, ela estava com a família Robinson em Thorp Green. Ela também acompanhava a família em suas férias anuais para Scarborough. Entre 1840 e 1844, Anne passou cerca de cinco semanas em todos os verões no lugar que ela amava. Um número de locais em Scarborough formaram o cenário para as cenas finais de Agnes Grey.

Vista aérea de Scarborough do monte Oliver. Copyright © 1999 Michael Armitage

Vista aérea de Scarborough do monte Oliver. Copyright © 1999 Michael Armitage

Durante o tempo de trabalho para os Robinson, Anne e suas irmãs consideraram a possibilidade de ter sua própria escola. Vários locais, incluindo a sua própria casa, a casa paroquial, foram considerados como locais para estabelecê-la. O projeto nunca se concretizou e Anne escolheu várias vezes retornar para Thorp Green. Ela voltou para casa depois da morte de sua tia, no início de novembro de 1842, enquanto suas irmãs estavam fora, em Bruxelas. Elizabeth Branwell deixou um legado de 350 libras para cada uma de suas sobrinhas.

Mrs. Lydia RobinsonCopyright © 1999 Michael Armitage

Mrs. Lydia RobinsonCopyright © 1999 Michael Armitage

Anne voltou para Thorp Green em Janeiro de 1843. Ela conseguiu uma posição para Branwell com seus patrões: ele foi para assumir o lugar de tutor de Edmundo, o filho dos Robinsons, o único rapaz da família, que estava crescendo para ficar sob os cuidados de Anne. No entanto Branwell não viveu na casa com a família Robinson, como Anne fez. Todas as três irmãs Brontë passaram algum tempo trabalhando como governanta ou professora, e todas tiveram problemas para controlar os seus encargos, ter o apoio de seus patrões e lidar com a saudade, mas Anne foi a única pessoa que perseverou e fez sucesso no seu trabalho.

De volta a casa paroquial

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Anne e Branwell continuaram a ensinar em Thorp Green nos dois anos seguintes. No entanto, Branwell foi atraído para um relacionamento secreto com a mulher de seu patrão, Lídia Robinson. Quando Anne e seu irmão voltaram para casa para os feriados de Junho de 1845, ela renunciou à sua posição. Anne não deu nenhuma razão para deixar Thorp Green, no entanto acredita-se que sua escolha foi após saber do relacionamento do seu irmão com Lídia Robinson. Branwell foi severamente julgado quando o patrão descobriu sobre o relacionamento dele com sua esposa. Apesar do comportamento do seu irmão, Anne manteve laços estreitos de amizade com Elizabeth e Mary Robinson, trocando cartas frequentes com elas. As irmãs Robinson foram visitar Anne, em dezembro de 1848.

Livre de sua posição como governanta, Anne levou Emily para visitar alguns dos lugares que ela tinha conhecido e amado nos últimos cinco anos. O plano inicial de ir ao mar em Scarborough não deu certo e as irmãs foram para York, onde Anne mostrou a sua irmã a York Minster.

York Minster

York Minster Copyright © 1999 Michael Armitage

Um livro de poemas

British Library

British Library

No verão de 1845, os quatro Brontës estavam em casa com seu pai Patrick. Nenhum dos quatro tinha qualquer perspectiva imediata de emprego. Foi neste momento que Charlotte se deparou com os poemas de Emily. Eles tinham sido partilhados apenas com Anne, sua companheira no mundo “Gondal”. Charlotte propôs que fossem publicados. Anne também revelou seus próprios poemas. Por fim, embora não tenha sido fácil, as irmãs chegaram a um acordo sobre a publicação. Elas não contaram para Branwell, nem para seu pai, nem para seus amigos sobre o que estavam fazendo. Anne e Emily contribuíram com 21 poemas cada uma e Charlotte com dezenove. Com o dinheiro deixado pela tia Branwell as irmãs pagaram para publicar a coleção.

Apreensivas com relação ao julgamento do livro por serem mulheres, as irmãs criaram pseudônimos: Charlotte tornou-se Currer Bell, Emily tornou-se Ellis Bell e Anne tornou-se Acton Bell. Poemas de Currer, Ellis e Acton Bell estavam disponíveis para venda em maio de 1846. O custo da publicação foi de cerca de 3/4 do salário anual de Anne em Thorp Green. Em 07 de maio de 1846, os três primeiros exemplares do livro foram entregues em Haworth Parsonage.

O livro alcançou três opiniões favoráveis, mas foi um fracasso, com apenas dois exemplares vendidos durante o primeiro ano. Anne, no entanto, começou a procurar um mercado para sua mais recente poesia e tanto o Intelligencer Leeds e a Fraser’s Magazine publicaram seu poema The Narrow Way, sob seu pseudônimo de Acton Bell. Quatro meses antes, em agosto, a Fraser’s Magazine também havia publicado seu poema The Three Guides.

Agnes Grey

British Library

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Mesmo antes do destino do livro de poemas se tornar evidente, as três irmãs estavam trabalhando em um novo projeto. Elas começaram a escrever suas primeiras novelas. Charlotte escreveu O professor, Emily, Wuthering Heights, e Anne, Agnes Grey. Em julho de 1846, um pacote com os três manuscritos estava fazendo a ronda nas editoras de Londres.

Após uma série de rejeições a Wuthering Heights e Agnes Grey, eles foram aceitos por uma editora em Londres, mas o romance de Charlotte foi rejeitado por todas as editoras e outras pessoas a quem foi enviado. No entanto, Charlotte não demorou a concluir seu segundo romance, a famosa Jane Eyre, esse foi imediatamente aceito por Smith, Elder & Co. uma editora diferente da de Anne e Emily, embora também localizado em Londres. No entanto, Jane Eyre foi a primeira a aparecer na mídia

British Library

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impressa. O segundo romance de Charlotte se tornou um retumbante sucesso imediato. Enquanto isso, Anne e Emily eram obrigadas a pagar cinquenta libras para ajudar a cobrir os custos de publicação de seus romances. Smith, Elder & Co., editora de Charlotte, instada pelo sucesso de Jane Eyre, finalmente publicou  Wuthering Heights e Agnes Grey, em dezembro de 1847. Estes também venderam excepcionalmente bem, mas Agnes Grey foi claramente ofuscado pelo dramático Wuthering Heights de Emily. O segundo romance de Anne, The Tenant of Wildfell Hall, foi publicado na última semana de Junho de 1848. Foi um fenomenal sucesso imediato, no prazo de seis semanas foi todo vendido.

A crescente popularidade dos “Bells” levou a um interesse renovado no livro “Poemas de Currer, Ellis e Acton Bell”, publicado originalmente pela Aylott e Jones. A tiragem restante foi comprada por Smith e Elder, e reeditado em novas capas em novembro de 1848. Ele ainda vendeu muito pouco.

Tragédias Familiares

Somente no final dos vinte anos, o sucesso literário na carreira das irmãs parecia uma certeza. No entanto, uma tragédia iminente iria engolir a família. Dentro dos próximos dez meses três dos irmãos estariam mortos, inclusive Anne.

A saúde de Branwell deteriorou-se gradualmente ao longo dos últimos dois anos, mas sua gravidade estava meio disfarçada pela sua embriaguez persistente. Ele morreu na manhã de 24 de setembro de 1848. Sua morte repentina foi um choque para a família. Ele estava com apenas trinta e um anos. A causa foi registrada como bronquite crônica. Através dos sintomas relatados acredita-se que ele também estava sofrendo de tuberculose.

Brontë Parsonage Museum-BBC Your Paintings

Brontë Parsonage Museum – BBC Your Paintings

A vida na casa paroquial foi muito difícil durante o inverno. O chão e escadas de pedra fizeram a casa ficar muito fria. Os únicos tapetes estavam na sala de estar e no estudio de Mr. Brontë. 

Patrick Brontë era um pai severo, típico do século 19, e ele achou a tarefa de cuidar de quatro crianças, com uma pequena renda, muito difícil e preocupante. Não havia cortinas na casa (ele tinha medo que elas pegassem fogo por causa das velas que iluminavam os quartos durante a noite). Ele também proibiu seus filhos de usarem roupas de linho ou algodão, porque, segundo ele, esses tecidos eram inflamáveis.

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Toda a família sofreu de tosses e resfriados durante o inverno de 1848 e Emily era a próxima a ficar seriamente doente. Ela se deteriorou rapidamente durante um período de dois meses, sua persistente recusa por ajuda médica foi até a manhã de 19 de dezembro, quando, estando muito fraca, ela falou: “Se vão me enviar um médico, envie agora”. Era tarde demais. Por volta das duas horas da tarde, depois de um duro conflito em que ela lutou desesperadamente para agarrar a vida, ela morreu no sofá da sala, com apenas trinta anos.

A morte de Emily afetou profundamente Anne e a tristeza minou ainda mais a sua saúde física. Durante o Natal, Anne pegou gripe. Seus sintomas se intensificaram e no início de janeiro, o pai a enviou para um médico em Leeds que diagnosticou sua condição de tuberculosa e insinuou que estava bastante avançada, deixando pouca esperança de recuperação. Anne recebeu a notícia com seu característico autocontrole. Ao contrário de Emily, Anne tomou todos os medicamentos recomendados, e respondeu a todos os conselhos que lhe foi dado. No mesmo mês, Anne escreveu seu último poema, “A dreadful darkness closes in”, em que ela lida com a percepção de ser um doente terminal. Sua saúde flutuava, com o passar dos meses, mas ela progressivamente ficou mais magra e fraca.

Morte

The George Hotel - York, onde Anne ficou hospedada.

The George Hotel – York, onde as Brontës ficaram hospedadas.

Em fevereiro de 1849, Anne parecia um pouco melhor. Por essa época, ela tinha decidido fazer uma visita de retorno a Scarborough, na esperança de que a mudança de ares e o ar fresco do mar pudessem ajudá-la a recuperar-se. Em 24 de maio de 1849, Anne disse seu adeus a seu pai e os empregados de Haworth, e partiu para Scarborough com Charlotte e sua amiga Ellen Nussey. No caminho, as três passaram um dia e uma noite em York, onde, acompanhando Anne em uma cadeira de rodas, elas fizeram algumas compras e a pedido de Anne visitaram York Minster.

No domingo, 27 de maio, Anne pergunta a Charlotte se não seria melhor voltar para morrer em casa. Um médico consultado no dia seguinte, indicou que a morte já estava perto. Anne recebeu a notícia em silêncio. Ela expressou seu amor e preocupação com Ellen e Charlotte e vendo a aflição de Charlotte, sussurrou-lhe: “Tenha coragem”. Consciente e calma, Anne morreu por volta de duas horas da tarde, na segunda-feira, 28 de maio de 1849.

Copyright © 1999 Michael Armitage

Scarborough: a vista da igreja e o cemitério onde Anne foi enterrada, e a Baía. Copyright © 1999 Michael Armitage

Durante os poucos dias seguintes, Charlotte tomou a decisão de “colocar a flor onde ela tinha caído”. Anne não foi sepultada em Haworth com o resto de sua família, mas em Scarborough. O funeral realizou-se quarta-feira, 30 de Maio, o que não dava tempo para Patrick Brontë fazer as 70 milhas (110 km) de viagem para Scarborough, se tivesse querido fazê-lo. A professora de Roe Head, Miss Wooler, também estava em Scarborough, neste momento, ela era outra enlutada. Anne foi enterrada em St. Mary’s churchyard, junto às muralhas do castelo, e com vista para a baía. Charlotte encomendou uma pedra a ser colocada sobre seu túmulo, com a simples inscrição “Aqui jaz os restos mortais de Anne Brontë, filha do. Rev. P. Brontë, titular de Haworth, Yorkshire. Morreu com a idade de 28 anos. 28 de maio de 1849”. Na verdade, Anne tinha 29 anos quando morreu.

Reputação

Um ano depois da morte de Anne, novas edições de seus romances foram necessárias, no entanto, Charlotte impediu a republicação do segundo romance de Anne, The Tenant of Wildfell Hall.

Este ato foi à causa para Anne ser relegada ao banco de trás do movimento Brontë. O romance de Anne era ousado para a época vitoriana, com sua descrição de cenas de crueldade física e mental e a abordagem do divórcio. A consequência foi que os romances de Charlotte, junto com Wuthering Heights de Emily, continuaram a ser publicados e lançaram as duas irmãs para o estrelato literário, enquanto os de Anne foram relegados ao esquecimento. Além disso, Anne tinha apenas 28 anos quando escreveu The Tenant of Wildfell Hall, com uma idade comparável, Charlotte produziu apenas O Professor.

A opinião geral foi que Anne era uma mera sombra em comparação com Charlotte, a mais produtiva escritora da família, e Emily, o gênio. Isto ocorreu, em grande medida porque Anne era muito diferente, como pessoa e como escritora, de Charlotte e Emily.

Agora, com o aumento do interesse em mulheres autoras, sua vida está sendo reexaminada e sua obra reavaliada. A reavaliação do trabalho de Anne começou, progressivamente, levando à sua aceitação, não como uma Brontë menor, mas como uma grande figura literária com direito próprio.

Agnes_Grey_ED_ESP_BAIXA-287x400Agnes Grey
Autor:  Anne Brontë
Tradutor: Paulo Cézar Castanheira
Edição Especial

Publicado em 1850, o romance ultrapassa a Era Vitoriana com sua temática realista. A caçula da família Brontë não fica atrás de suas outras irmãs escritoras, Charlotte e Emily, ao criar uma protagonista disposta a enfrentar as convenções sociais da época e se firmar como uma mulher corajosa e dona de si.

A obra narra a trajetória de Agnes, governanta de famílias da classe aristocrática inglesa, suas lutas, questionamentos e claro, sua relação com o amor. Leitura imperdível para os apaixonados pelas outras irmãs Brontë e pela produção literária inglesa.

A Inquilina de Wildfell Hall
Pedrazul Editora
Tradução: Stephanie Savalla
Lançamento em 2015

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Gilbert Markham, um jovem cavalheiro agricultor, fica imediatamente interessado quando uma estranha inquilina se muda para Wildfell Hall. Mrs. Graham é jovem e bonita e sua demanda por reclusão desperta grande curiosidade entre a nobreza local. Em sua primeira visita a Wildfell Hall, Mr. Gilbert descobre que a Mrs. Graham é uma pintora de paisagens de grande capacidade e desconfia que ela está escondendo seu paradeiro de alguém. Seu ar de segredo desperta sua curiosidade e sua simpatia. Evitando as atenções de Eliza Millward, filha do Vigário -geral, para a qual ele até então mostrou uma preferência, Mr. Gilbert gasta muito do seu tempo na companhia da jovem viúva. Seus amigos, contudo, tentam desencorajar suas atenções, pois há rumores de que ela está tendo um caso com Frederick Lawrence, seu senhorio. Quando ele tenta dizer-lhe de sua afeição crescente, Mrs. Graham insiste que Gilbert considere-a simplesmente como amiga. Depois que o vigário, Mr. Millward, acusa a viúva de conduta imprópria, Gilbert a visita, declara seu amor e ganha uma promessa de que ela irá revelar seu segredo. Mais tarde naquela noite, no entanto, ele ouve Mrs. Graham em uma discussão misteriosa com seu senhorio que o leva a suspeitar que os rumores sobre eles são verdadeiros. Um romance epistolar, cujo diário conta a história de Helen Graham nos últimos seis anos a partir de 1821.

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Minissérie BBC:

The Tenant of  Wildfell Hall

  • Atores: Toby Stephens, Tara Fitzgerald,
    Rupert Graves, Sarah Badel, Leach Jackson
  • Número de discos: 1
  • Estúdio: Warner BBC
  • Ano: 1996
  • DVD Data de lançamento: 15 de abril de 2008
  • Tempo de Duração: 159 minutos

 

 

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Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Anne_Bronte
The Brontë Sisters
http://www.bl.uk/romantics-and-victorians
http://www.haworth-village.org.uk

http://mick-armitage.staff.shef.ac.uk
http://goldenagepaintings.blogspot.com.br
http://www.peterharrington.co.uk
http://www.pedrazuleditora.com.br/
http://www.martinclaret.com.br/

┼Ψ╬† sσnia ┼Ψ╬┼

Gosto de tudo da Inglaterra: literatura, filmes, séries, sitcons, sotaque, educação, polidez, costumes, parques, praças, arquitetura… Tudo! Fui Influenciada pela literatura inglesa que eu li avidamente. Morar lá é o meu objetivo de vida.