Agnes Grey (Anne Brontë)

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Agnes Grey é um romance escrito por Anne Brontë, publicado em 1850, mas que foge das características típicas da época vitoriana. Nesta história, ao ver a precária situação financeira de sua família, nossa protagonista, que dá nome ao livro, procura meios de se sustentar com seu próprio esforço e trabalho.

Agnes consegue uma colocação como governanta e percebe o quanto é difícil sair do conforto do seu lar e viver no meio de desconhecidos. O faz, entretanto, de forma firme e decidida. Uma mulher com poucos recursos naquela época não podia se dar ao luxo de não trabalhar (como ainda hoje), e uma das poucas ocupações para quem tinha um nível intelectual mais elevado (mas não tinha dinheiro) era a de governanta ou professora.

Mulheres como Agnes tinham nesses trabalhos a oportunidade de se manterem financeiramente caso não conseguissem (ou não quisessem) se casar. 

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Img_0276“Como seria delicioso ser uma preceptora! Sair para o mundo; entrar numa nova vida; agir independentemente; exercitar faculdades sem uso; testar forças desconhecidas; ganhar meu próprio sustento e alguma coisa para confortar e ajudar o meu pai, minha mãe e irmã, além de desobrigá-los da minha provisão de comida e roupa; mostrar ao meu pai do que a sua pequena Agnes era capaz…” (pág. 34) 

“O nome preceptora, logo descobri, era uma zombaria quando aplicado a mim: meus pupilos não tinham uma noção maior de obediência que a de um potro selvagem, indomado. Em geral, só a presença do pai, e o medo do temperamento rabugento dele e dos castigos que ele lhes infligia quando estava irritado, os mantinha sobre controle. As meninas também tinham o mesmo medo da raiva da mãe e de vez em quando ela subornava o menino para fazer o que se pedia com promessa de alguma gratificação. Mas eu não tinha gratificação a oferecer; e me foi dado a entender que os pais reservavam para si o privilégio das punições; ainda assim, eles esperavam que eu mantivesse meus pupilos sob controle.” (págs. 53 e 54) 

“Sabia que nem todos os pais eram iguais ao senhor e à senhora Bloomfield, e tinha certeza de que nem todas as crianças eram iguais aos seus filhos. A próxima família teria de ser diferente, e toda mudança só podia ser para melhor. A adversidade me havia feito amadurecer e a experiência me orientara, e ansiava por resgatar a minha honra perdida aos olhos daqueles cuja opinião para mim valia mais que a de todo mundo.” (pág. 85)

É um livro surpreendente ainda nos dias de hoje, podendo ser considerado um romance feminista fora de época. Agnes Grey é uma jovem mulher que não quis esperar sentada, tricotando ou tomando um chá, por seu futuro. Ela foi à luta, pois sabia que era perfeitamente capaz. Não se sentia, de forma alguma, inferior aos aristocratas que a cercavam. O amor e a felicidade conjugal não eram descartados, mas o seu desejo de independência e de ajudar a sua família eram mais urgentes.

Falei pouco da história em si, pois a leitura de “Agnes Grey” será muito mais agradável que a desta resenha! É uma história que fala, dentre outras coisas, de pessoas com sentimentos nobres e desinteressados que conseguem, apesar das adversidades, alcançar a verdadeira felicidade.

Essa edição da Editora Martin Claret é realmente especial: uma das capas mais bonitas da minha estante! Um ótimo acabamento e páginas com cor e fonte agradáveis para leitura. Sobretudo, o que mais tem me encantado nessas edições especiais da Martin Claret, são os prefácios e posfácios, feitos por professores especialistas, que ela tem incluído nas obras. É uma fonte de conhecimento sobre os autores, seus livros e a época em que viveram ou sobre as quais escreveram. Realmente faz toda a diferença! “Agnes Grey” tem o prefácio de Cíntia Schwantes e posfácio de Lilian Cristina Corrêa.

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Citações favoritas:

“Não se pode esperar que uma pedra seja tão maleável quanto o barro.”

“E por que ele iria se interessar pelas minhas capacidades morais e intelectuais: que importância terá para ele o que eu penso ou sinto? Perguntei a mim mesma. E meu coração palpitou em resposta a essa pergunta.”

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Ficha bibliográfica:

Título: Agnes Grey
Autor: Anne Brontë
Tradução: Paulo Cézar Castanheira
Editora: Martin Claret
Páginas: 288
Ano: 2015
Avaliação: 5/5 estrelas e favorito

Onde comprar:

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Tamires de Carvalho

Estudante de Letras (Português/Literaturas), sempre foi apaixonada pelo universo dos livros. Descobriu na Literatura Inglesa uma grande fonte de prazer e inspiração. Também acha estranho falar de si mesma na terceira pessoa. Contato: ts.carvalhosantos@gmail.com

  • Gabriela Santos

    Eu torço pra que algum dia a bbc faça uma adaptação desse livro. Acho ele muito mais encantador e envolvente do que A Moradora de Wildfell Hall 🙂