A Viagem, o primeiro romance de Virginia Woolf

25 de janeiro é o aniversário da escritora inglesa Virginia Woolf. O EI vai dedicar o mês a ela publicando matérias e algumas resenhas de seus livros, começando com o primeiro “A Viagem”.

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(Via: Blog Livro & Café)
Por Francine Ramos

aviagem-vw_zpsb7a7d109A Viagem é o primeiro romance de Virginia Woolf e ela demorou nove anos para escrevê-lo, isso contando do momento da ideia para o livro até a edição final. E nesse tempo muitas coisas aconteceram na vida de Virginia Woolf que, sem dúvida, influenciaram na composição da obra. Refiro-me à morte de sua mãe e a sua primeira crise de depressão. Portanto, em A Viagem temos muitas passagens tristes (eu chorei ao ler a primeira cena), intercaladas por outras de um humor muito refinado, típico de Virginia.

A personagem principal chama-se Rachel Vinrace, é uma jovem pianista que, como todos os jovens e seus 20 e poucos anos, não sabem muito bem para onde ir. Uma sensação de indecisão acompanha Rachel fazendo ela, muitas vezes, parecer distante do mundo. Mas é absolutamente ao contrário, Rachel dá tanta importância ao seu cotidiano, à família e ao que ela deve fazer de sua vida, que seus pensamentos sempre estão a mil, fazendo dela uma grande pensadora sobre o que é realmente a vida.

Ela parte para uma viagem com os seus tios, Mr. e Mrs. Ambrose, e, acredite, o destino é o Brasil. Não é falado sobre isso com clareza, mas fica nas entrelinhas. Não acho que Virginia Woolf tenha pensado “vou escrever um romance que se passa no Brasil”, não. Ela usou apenas a America do Sul como referência, era preciso que os personagens fizessem uma viagem para um lugar distante, desconhecido e exótico. E isso fica claro com as descrições do ambiente que remetem a um lugar que não existe de verdade.

A passagem de Mr. e Mrs Dalloway pela história é fantástica! É como se o perfume (eu acredito que seja floral) invadisse toda a história e mudasse o tom, o ritmo: Mrs. Dalloway é uma antagonista em A Viagem, pois ela e seu marido colocam em Rachel uma pequena ponta de provocação.

Edmund Charles Tarbell

Edmund Charles Tarbell

Já em terras estrangeiras, Rachel conhece Terence Hewet, um jovem que está tentando escrever um romance sobre o silêncio. E as aventuras de Rachel na América do Sul são na companhia de Hewet, seja fisicamente, seja em seus pensamentos, pois demora certo tempo para Rachel concluir que ele pode ser a pessoa certa para um casamento. Outras histórias aparecem na trama, outros casais se formam, mas o desenrolar da história acontece conforme as ideias de Rachel.

Personagem muito interessante também é a tia de Rachel, chamada Helen, que mantém um equilibro sobre a vida muito bonito, um carinho especial pela sobrinha e um amor tenro pelo marido Ridley. Helen se sente na missão de “educar” Rachel, pois a considera ingênua demais, frágil demais. Sugere a ela livros e amigos intelectuais na tentativa de transformar sua sobrinha menina numa mulher. Mas Rachel não precisa disso, pois a música – ela toca piano muito bem – a preenche como a literatura preenche sua tia Rachel, mas ela não entende.

O mais difícil é falar sobre o final desse livro. É um final perfeito, é o que posso dizer. Pois somente com o final que Virginia Woolf nos forneceu foi possível compreender toda a dimensão de uma viagem, A Viagem.

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Conselho: para quem ler a edição da Novo Século há uma introdução feita por Angelica Garnett, não leia! Deixe para o final. É a minha dica.

Saiba mais sobre Virginia Woolf no blog Livro&Café

┼Ψ╬† sσnia ┼Ψ╬┼

Gosto de tudo da Inglaterra: literatura, filmes, séries, sitcons, sotaque, educação, polidez, costumes, parques, praças, arquitetura… Tudo! Fui Influenciada pela literatura inglesa que eu li avidamente. Morar lá é o meu objetivo de vida.