A adolescente Jane Austen escreveu Divertidas Paródias para sua Família

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Jane Austen escreveu somente seis romances completos como adulta, mas quando era adolescente, ela passou muito de seu tempo escrevendo divertidas histórias e peças para sua família. Uma nova compilação desses trabalhos, Amor e Amizade e Outros Escritos da Juventude, saída em janeiro passado pela Penguin Classics, revela não tanto um gênio precoce quanto uma esmagadora vontade de fazer as pessoas ao seu redor rirem.

As primeiras histórias de Austen, arranjadas em seu próprio modo brincalhão em três volumes, são frequentemente sobre casos de amor que beiram o ridículo – por exemplo: na primeira, os amantes em “Frederic e Elfrida” esperam tanto para se casarem que o homem não está mais interessado pela dama, devido a diminuição da beleza e da idade avançada dela.

“Elfrida, você pode se casar amanhã, mas eu não”, ele diz a ela, finalmente. Austen mostra as consequências dessa rejeição: “ Esta resposta causou em Elfrida uma aflição forte demais para alguém tão delicado. Assim, ela desmaiou, e estava com tanta pressa de ter uma sucessão de desmaios que mal teve paciência para se recuperar de um antes de ser acometida por outro”. Afortunadamente, ele teve pena dessa exibição e acabou se casando com ela.

As manias das mulheres no que diz respeito às outras nunca estão além de sua observação: Em “Jack e Alice”, uma briga entre duas personagens, sobre se ter as bochechas muito rosadas é possível na compleição de uma dama, quase explode repetidamente:

“Quando uma mulher tem alto teor de vermelho nas bochechas, o rosto dela, na minha opinião, fica com uma aparência vermelha demais”.

Mas, madame, eu nego ser possível que qualquer pessoa tenha uma proporção muito grande de vermelho nas bochechas”.

A jovem Austen dificilmente é adequada para a época. Ela escreve sobre embriaguez (de fato, ela usa muito a frase “completamente bêbado”), seduções, e todo tipo de confusões sangrentas, com um tom de absoluta alegria e boa vontade. Cada história tem uma dedicação própria para que entendamos que cada uma estava dedicada à um destinatário específico. Há algumas muito românticas no primeiro volume, e é fácil imaginar que a família de Austen apreciava muito essas histórias.

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Ainda há os temas que ela mais tarde trataria com um tom mais sério como a economia política e o mercado de casamento. Tomando este excerto de “As três Irmãs”, no qual, como muitos de seus primeiros trabalhos, está na forma epistolar:

“Eu quero que você me diga se devo ou não aceitar o pedido… Ele é um homem bastante velho, com cerca de trinta e dois anos, muito feio, tão feio que nem consigo olhar para ele. Ele é extremamente desagradável e eu o odeio mais que a qualquer outra pessoa no mundo. Tem uma grande fortuna e me deixará uma boa parte dela; no entanto, sua saúde é muito boa. Em resumo, não sei o que fazer. Se recusar, ele praticamente afirmou que pedirá a mão de Sophy e, se ela recusar, a de Georgiana, e eu não suportaria que nenhuma delas se casasse antes de mim. Se eu aceitar, sei que serei infeliz o resto da vida, pois ele tem o temperamento muito ruim, é rabugento, extremamente ciumento e tão muquirana que será impossível viver sob o mesmo teto que ele. Ele disse que mencionaria seu pedido a mamãe, mas insisti que não o fizesse, pois é muito provável que ela me obrigue a casar com ele quer eu queira, quer não; no entanto, ele deve ter mencionado sim, pois jamais faz qualquer coisa que lhe pedem. Acredito que vou aceitar. Será uma vitória tão grande me casar antes de Sophy e Georgiana e as Dutton; “

Quando este tema da natureza do casamento é tratado por Austen, o resultado é conhecido: uma fonte de mordazes diálogos que ainda são prazerosos hoje.

Amor e amizade é a mais popular e completa das primeiras histórias de Austen. Suas duas heroínas desmaiam tantas vezes, há tantas confusões de identidades e capotamentos de carruagens e dramas envolvidos, que deixa o leitor, mesmo hoje em dia, com a respiração fraca e desesperado para cheirar sais. É um pequena obra-prima, e vale à pena ler. “A História da Inglaterra” é sua análise absurda sobe o cânone e sua atitude de adolescente sarcástica para com a história é reconhecida por qualquer um que tem de estudar nomes, datas e sucessões.

No Brasil, foi lançada a  Jane Austen e Charlotte Brontë Juvenília, pela editora Penguin Companhia, do qual foram tiradas as citações para esse post; esta não contém “A história da Inglaterra”.

Enquanto esta coleção poderá agradar as Janeites mais incondicionais, é também o tipo de coisa que os amantes de Jane Austen podem levar para a mesa do café. É perfeita para pegar em um momento de lazer e aproveitar as páginas pensando na garota adolescente no campo inglês duzentos anos atrás que ainda conquista fãs com sua imaginação e perspicácia.

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Dandara Machado

Sou de Santa Maria-RS. Amo literatura inglesa e pretendo cursar Letras Bacharelado e tradução inglês-português; mas estou fazendo ciências sociais. Minhas escritoras preferidas são Jane Austen, Anne Brontë, Charlotte Brontë, Georgette Heyer, Elizabeth Gaskell, Frances Burney, Virginia woolf e Katherine Mansfield (KM é a melhor de todas, na minha opinião, e meu conto preferido é "A casa de Bonecas”). Meus livros amados são Jane Eyre e Razão e Sentimento. Contato: dandaramachado210@gmail.com